SEMANA SANTA

 

   Hoje é Domingo de Páscoa, fechando, com sua ressurreição, o ciclo dramático do sofrimento de Cristo, e também sua vitória triunfal sobre seus algozes, porque cumpriu sua missão de levar a palavra de Deus a uma sociedade, que naquele tempo, como hoje, insiste em viver sem rumo, sem fraternidade, sem amor ao próximo, sem ética e sem qualidade humana, fundamental para o exercício da convivência.A Semana Santa é uma tradição religiosa católica que celebra a ultima semana de Cristo vivo, começando pela triunfal entrada em Jerusalém e terminando no Domingo de Páscoa. E sobre esta semana, que vivi em Jales durante toda minha infância e parte de minha juventude que desejo refletir e relatar a importância dela em nossa formação, introjetando valores éticos e morais, além de fomentar, em nossos espíritos em formação, a importância do amor ao próximo.

   Desculpe-me os desviados para a teologia da prosperidade, essa picaretagem religiosa que proliferou a partir da utilização da neurolinguística para fanatizar e capturar mentes mais frágeis ou oportunistas, utilizando o chavão “Dá dinheiro prá Deus", retirando das pessoas mais fragilizadas suas poucas economias, bicicletas, motos, casas e até fazendas, para dizer, em alto e bom som: foi a Igreja Católica Apostólica Romana, quem, na Jales pioneira, passou valores eternos e universais para a população de Jales, contribuindo para a construção de cidadãos, entre os quais me incluo que enveredaram para o caminho do bem, dos estudos, da cultura, do trabalho e longe, muito longe, do fanatismo religioso.

    Foi nessa Igreja Católica que Jales bebeu a fé, construiu sua cultura popular, sorriu com o Domingo de Ramos, viveu a lição da cerimônia do lava-pés na quinta-feira santa, chorou a dor da sexta-feira da paixão, aprendeu malhar o Judas no sábado de aleluia e sentir-se gratificado com a ressurreição, momento apoteótico do cristianismo, onde Cristo sobe bonito aos céus, deixando seus torturadores com cara de paisagem e seus seguidores com rosto de anjo, hoje comendo ovos de páscoa.

    No Brasil, e em Jales também, tudo vira comida. Jesus nasceu? Muito bem, Deus seja louvado, seu filho veio a terra para nos salvar! E haja comida no Natal! O pobre do peru não pode ouvir falar de Natal, na certeza que morrerá na véspera. Mata-se leitoa, franco, cabrito, uma orgia gastronômica tamanho família. Cristo nasceu? Tudo bem vamos encher a mesa de comida e toda bebida alcoólica que temos direito, embora Cristo tenha recomendado apenas vinho, bom para a saúde, e principalmente para o coração. Mas deve ser bebido em pequenas doses, com moderação. E o jalesense bebia cerveja, pinga, vodka, gim, rabo de galo, esquecendo um pouco do vinho, alegando que Jales era muito quente e vinho é bebida para o clima frio. Ora bolas!

    É tradição da igreja recomendar aos fiéis que observem alguns sinais de penitência,  durante a semana santa. A penitencia mais conhecida é abstinência de carne vermelha (pelo menos foi assim que aprendi na Jales pioneira), ficando liberada a carne de peixe. Então pergunto: que penitencia é essa de só poder comer pintado na brasa, bacalhau à portuguesa, salmão grelhado, cação ensopado ou traíra à milanesa? Também se recomenda jejuar, além de atos e eventos que resultem em prazer carnal. Na história da humanidade, as religiões surgem a partir de messias que vieram salvar os homens e filosofar a respeito da vida, da ética, do amor ao próximo, enfim, só direcionamento no caminho do bem. Embora não seja mais um católico praticante, como fui nos meus felizes tempos de Jales, continuo católico de casamentos e missas de sétimo dia, como a maioria dos católicos brasileiros. Tenho o maior orgulho de minha formação católica, embora defenda que a igreja precisa ouvir mais a ciência, ao invés de confrontá-la. 

    Temos a quaresma começando na quarta-feira de cinzas e terminando na quinta-feira santa. A quaresma é um poderoso indicador da força moral de Jesus, período que ficou sem comer e beber, mostrando seu exemplo para que a humanidade medite e purifique seus pensamentos, buscando sentir e viver o amor ao próximo. Essa é a verdadeira quaresma. Mas a cultura popular, muitas vezes se desvirtuando dos ensinamentos da igreja, já inventou mil coisas para a quaresma, sempre na linha depressiva de sofrer, não vestir tal roupa, jejuar, não passear, não dançar, e haja tristeza e melancolia.

     Entre todos os dias da semana santa, entendo a quinta-feira como a mais emblemática, pelo significado da santa ceia e cerimônia do lava pés. Na santa ceia, Jesus institui a eucaristia, dando seu corpo, através do pão, e seu sangue, através do vinho, simbolizando o cumprimento de sua missão na terra. Mesmo quem não é católico ou não dotado de alguma religiosidade, mas, em sendo humanista é impossível não reconhecer o gesto de Cristo na Santa Ceia como um dos mais significativos e sublimes exemplos de amor ao próximo. Na cerimônia do lava pés, quando lava e beija os pés de seus apóstolos, deixa para sempre uma mensagem de humildade e calor humano, sinalizando que precisamos ser humildes em tempo integral. E sempre com a mão estendida para ajudar o próximo.Em minha infância, os padres holandeses escolhiam 12 crianças para terem seus pés lavados e beijados. Durante três anos seguidos, tive a sorte de ser escolhido, por duas razões. Primeiro, por acreditar piamente que tal ritual me santificava e segundo, porque as doze crianças ganhavam um tubo de chocolate. Na saída da igreja havia o pedido de "um pedaço" de meus amigos mais carentes que acabavam com meu chocolate. Sabendo que meu coração era mole e dividia o chocolate com a turma, meu pai deixava um chocolate no jeito, fazendo minha alegria ficar completa.

     De todas as celebrações da semana santa, a procissão da sexta-feira da paixão era a mais comovente. Era impossível não ir às lágrimas quando Verônica, interpretada pelo canto magistral de Olga, filha de Seu Antenor e Dona Lazinha e depois casada, para sempre, com o grande Adelino, irmão do Américo. Quando Olga soltava a voz e abria o pano com o rosto perfeito de Cristo, a procissão ganhava uma qualidade artística e a cena era a dignidade perfeita da mensagem. A Verônica, interpretada pela Olga, ficou na memória como um dos melhores momentos de interpretação dramática que assisti em toda minha vida. Sempre que vejo procissão de semana santa, a Verônica da Olga volta com força total, renovando a emoção que nasceu em Jales.

     Outro ritual nascido na semana santa é a malhação de Judas, assumida, de corpo e alma, pela cultura popular. Cada país tem seu modo peculiar de malhar o Judas, mas no Brasil, assim como em Jales, naquela época, se reuniam, para liquidar, furiosamente, um boneco de pano, recheado de serragem, jornais, panos velhos,etc., geralmente pendurado em poste, árvore ou espetado num pau comprido, tipo "pirulito" usado em passeatas, desfilando pelas ruas, até ser espancado e queimado pela multidão.Nunca perdi uma malhação de Judas em Jales. Havia mais espírito lúdico que religioso no evento. Era uma zorra total, muita alegria, bagunça com respeito e disciplina. Os malhadores eram jovens e adultos, mas a molecada pegava carona e jogava umas pedras no boneco de Judas. A malhação de Judas surgiu do desejo de vingança cristã, inconformados com a traição de Judas Iscariotes, que vendeu Cristo por trinta dinheiros. Na verdade, o gesto da malhação de Judas não reflete os ensinamentos de Cristo, na direção de perdoar nossos algozes, ao invés de espancá-los, como fazemos com Judas. Inclusive a malhação de Judas tem saído do campo religioso e ingressado no território da política, simbolizando políticos com elevados índices de rejeição.

Já houve a fase de Maluf ser o Judas de plantão, com sua foto no rosto do boneco, sendo espancado pela multidão. Ontem, em São José dos Campos, o boneco de Dona Dilma, vestida de macacão Petrobrás, viveu seu momento de perfuração e caiu na malhação. A mais famosa malhação de Judas, no Brasil, acontece na Rua Lavapés, em São Paulo. Político paulistano morre de medo virar Judas na Rua Lavapés.A semana santa gera muita promessa nos devotos mais radicais.Nas filipinas, as promessas transformam-se em crucificação, com prego de até quinze centímetros enterrado nas mãos, reproduzindo a crucificação de Jesus. Também existe a autoflagelação, quando as pessoas se chicoteiam, provocando cortes profundos em todo corpo, com sangramento abundante. A igreja tem se posicionado, corretamente, contra mutilações, enquanto alguns governos, como o das Filipinas, através do Ministério da Saúde, têm feito campanhas contra a flagelação, provocadora de infecções que levam à morte. Como o brasileiro é mais esperto, paga promessas viajando até Aparecida do Norte, subindo escadas de joelhos, carregando cruz nas costas em caminhadas e prestação de favores ou exercício de caridade.

     E o maior símbolo do Domingo de Páscoa, dia da ressurreição de Cristo, são os ovos de páscoa, uma tradição milenar do cristianismo. Nenhuma referência de nascer é mais emblemática que o ovo.  Somente no século 19 é que ovo de páscoa virou chocolate puro, como conhecemos hoje. E era uma guloseima desejada, mas pouco adquirida pelas crianças mais pobres da Jales antiga. Era muito caro comprar ovo de páscoa. E a molecada ficava nas portas das padarias olhando com os olhos e lambendo com a testa. Uma cena muito triste, mas que deve servir de exemplo para as futuras gerações de Jales. Menino de classe média, Gilordinho chamava os meninos mais pobres, nas imediações da padaria, e dava um ovo bem grande para repartirem. Que seu irmão Oleno, menino também nota dez, saiba que seu irmão mais velho ajudava humanizar o Domingo de Páscoa naquela Jales que não existe mais.

Todo católico sabe, nos mínimos detalhes, a farsa do julgamento de Cristo, quando Pôncio Pilatos pronunciou a famosa frase: lavo minhas mãos no sangue de um inocente! Mas nem todos se lembram que Cristo foi submetido ao veredicto popular, disputando com Barrabás, ladrão popular, quem deveria ser crucificado. E o povo salvou Barrabás e condenou Jesus! No Brasil, o povo vive votando em Barrabás e nós, pobres contribuintes, somos crucificados!

Roberto Gonçalves é Cientista Político.

"Sem dúvida nenhuma, fatos relevantes são notícias que o povo quer ver, mas nem sempre o que as emissoras de TV, rádios, jornais e revistas divulgam, são necessariamente verdades jornalisticamente éticas e incontestáveis. No atual contexto, em que o capitalismo dita as regras da economia, tudo passa a ter seu valor mercadológico, inclusive à notícia. Até aí, tudo bem. Mas notícia como mercadoria pode e deve ser tratada dentro dos princípios da conduta ética e profissional, tendo como objetivo, acima de tudo, oferecer boa qualidade de informação e satisfazer às necessidades de consumo dos leitores com um produto fidedigno. E este aprendizado sobre o que é ético e o que não é começa nas escolas de jornalismo."

Nota do Blogueiro: O parágrafo citado e que foi publicado  neste blog no dia 21 de julho de 2.013 sob o título-  Politica e Corrupção: Conjugação Fatal, é de autoria da brilhante jornalista Alessandra Silvério no seu artigo - Jornalismo: uma questão de ética.

Alessandra Silvério, jornalista curitibana, graduada em Jornalismo pela Universidade Tuiuti do Paraná (UTP/PR), em 2001, e pós-graduada em Comunicação Audiovisual, com ênfase em Cinema, pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC/PR), em 2002.

 

 

 

 

 

BIRIB- Parte II

O artigo BIRIBA, de Domingo passado, foi escrito com as tintas do coração de Olinto Ridolfo, seu Grande amigo para sempre.Começo a segunda parte falando de uma dupla de amigos (Drausio e Biriba), grandes animadores culturais de Jales na década de 50.Drausio e Biriba preenchiam o vazio DA vida comunitária jalesense promovendo bailes, festas, teatro, esportes e atividades sociais. Antes que os anos dourados explodissem em todo Brasil, Drausio e Biriba já haviam antecipado essa era em Jales, introjetando no espírito da população, valores socioculturais que integravam as pessoas. Drausio era filho de Pedro Zana e Dona Izide, irmão de Jovir, casado com Madalena, hoje morando em Campinas. A irmã de Drausio, Neusa, falecida, era casada com Jurandir Viali, deixando os filhos Gleide e Juninho. A esposa de Drausio, Ivete, assim como seus filhos Dayse e Drausinho, moram em Paranaíba. A outra filha de Drausio, Márcia Regina, mora em São Paulo.

O exemplo de amizade que Drausio e Biriba passavam à sociedade jalesense, contribuiu muito para valorizar a importância de ter amigos, viver um mundo melhor, pensar Grande, cultivar o calor humano. Embora apreciassem filmes bang-bang, promoviam eventos modernos, conectando Jales no melhor DA civilização, pensando reduzir aqueles chapéus do velho oeste que dominavam a paisagem jalesense.Tudo que promoviam era trabalho voluntário. A montagem  da peça "Eu quero a luz", tendo Drausio, Biriba e Mirlei Altimari nos papéis principais, foi o maior sucesso de público e crítica. E de evento em evento, a dupla fortalecia o espírito comunitário.

Drausio enveredou pelo caminho do rádio, após a inauguração da Rádio Cultura de Jales, em 1960. Biriba assumiu o Cartório do Registro Civil de Aparecida D'Oeste, após um ano em Vitória Brasil. E assim, a dupla do bem e da alegria separa-se, após ter feito, durante mais de dez anos, Jales ferver de cultura, associativismo, modernidade e vontade de acelerar a vida em rotação máxima.

Após percorrer o Brasil, como ator, no Circo Teatroscope Lambari, Jales abraça o microfone pelo resto da vida. Biriba, desde OS 14 anos vocacionado para a política, mergulha nela para sempre. Uma dupla inesquecível, que nas férias ou feriados prolongados virava trio, com a chegada de Olinto Ridolfo. 

   Produtor de Alegria

 Vendo a tristeza tomar conta de Jales, com boatos espalhados por colonizadores de cidades próximas, assustando o povo com a terrível maleita e desvalorização das terras, provocando uma romaria de caminhões de mudança partindo de Jales, Biriba confabula com Breno, dono do cinema, no qual trabalhava, para reverter a situação.

Breno coloca um alto-falante no jeep, e com Biriba de co-piloto, percorre a cidade e toda zona rural, sempre com o mesmo apelo, revezando-se com Biriba no microfone:

Povo de Jales: não vendam suas propriedades, a maleita está acabando, nossas terras valem mais, vamos virar uma Grande cidade. Acreditem em Jales, vamos ficar e vencer por aqui, etc. Como a locução era ao vivo, quando tinha gente na porteira que Biriba conhecia, citava o Nome do sitiante: Seu Fulano de tal, fale com seus vizinhos, organize uma reunião, vamos ficar em Jales, etc.

O movimento venceu, Jales floresceu e na década de 50 registrou seu maior Progresso! Breno disse a David Lopes que Biriba era um produtor de alegria!

Biriba tinha também seus momentos de apuro, como todas as pessoas. Certa vez, muito apertado, tentou fazer um papagaio no banco, mas seus endossantes, como se dizia na época (agora só se fala avalista ou fiador), estavam todos "carregados", expressão que significava que haviam endossado para outras pessoas, esgotando seus limites. Mas o gerente, assim como a cidade inteira, era muito amigo de Biriba, informou que somente o Velho Isaac estava livre, sem nenhum aval nas costas.

O problema é que o velho Isaac, embora Grande amigo de Biriba, com o qual disputava improviso nas poesias, não endossava para ninguém.Seu Isaac era muito sistemático, embora fosse apaixonado por poesia e repentistas. Contra a opinião do gerente, que disse ser impossível obter o endosso do velho Isaac, Biriba pediu o título para levar ao velho.

Embora reafirmasse que seria tempo totalmente perdido, o gerente cedeu o título, fazendo o xis no local de assinatura do endossante.

Como o velho chegava à cidade pontualmente às seis horas da manhã, com sua mula carregada de leite, Biriba ficou esperando próximo ao cemitério.

Assim que velho Isaac apontou na virada do cemitério, Biriba gritou seu Nome e pulou na frente da mula, sendo logo reconhecido pelo amigo que foi logo iniciando o desafio, como sempre fazia ao encontrar Biriba na cidade:

Meus Deus, que será que aconteceu?

Biriba acordado nessa hora,

Com certeza alguém morreu

Ou a mulher foi embora!

Biriba ajoelha, com a título e caneta na mão e solta sua rima:

Oh TU que vens de longe,

Oh TU que vens montado,

Me endosse logo este título,

senão estou liquidado !

Velho Isaac salta da mula, sem colocar a mão na sela,

Declamando em volume máximo, veia do pescoço dilatada:

Oh amigo ajoelhado no tormento,

Acreditando em meu coração,

Passe logo esse documento,

 

Meu endosso é a solução!

Continuação...

O gerente ficou perplexo e fez a operação. Mas velho Isaac falou aos quatro cantos: Biriba ganhou o endosso, mas eu ganhei a rima. Meus versos deram um show nos dele. A paixão de Seu Isaac pela poesia repentista era muito maior que sua personalidade sistemática. E Biriba sabia! O governador Paulo Egídio era grande admirador de Biriba, desde o dia em que declamou " A MORTE DE UM SALTINBANCO ", num congresso de municípios. Depois daquele dia, Paulo Egídio fez Biriba declamar novamente o mesmo texto mais quatro ou cinco vezes, uma delas num evento particular em família. Corintiano de carteirinha, Paulo Egídio assiste seu time sair da fila, após 23 anos de espera.Na noite do jogo, Biriba em São Paulo, num hotel com mais de trinta prefeitos, tem a idéia de levar o grupo ao Palácio no dia seguinte, com toda cobertura de mídia, um bolo com o número 23 para o governador assoprar, discursos, folia geral Os prefeitos toparam a idéia, Biriba comprou uma camisa do Corinthians, arrumou um bolo e as velinhas e acionou a assessoria de imprensa e política do governador, para viabilizar o evento.

Logo pela manhã, o encontro, com toda mídia nacional presente, produzindo matéria que falou para todo Brasil, começando pelo Jornal Nacional. Os prefeitos escolheram Biriba, vestido com a camisa do Corinthians, para saudar o governador e proceder ao corte do bolo, após apagar as velinhas. E Biriba fez um discurso inflamado: - Graças a Deus, governador, saímos da fila! Nosso sofrido Corinthians deu a volta por cima e mostrou que é o grande timão!Ser corintiano, governador, é o maior orgulho de nossas vidas! E viva o Corinthians, campeão dos campeões!

O Palácio dos Bandeirantes veio abaixo com a estrondosa salva de palmas para o discurso de Biriba, visivelmente emocionado.O teatro de Biriba só não foi perfeito porque meia dúzia de amigos presentes sabiam que Biriba era são-paulino doente !!!!!!!!!!

Meses depois, Paulo Egídio ficou sabendo que Biriba era tricolor do Morumbi e ligou imediatamente para ele: - Biriba querido, fiquei sabendo que você deixou de ser corintiano.

Não estou ligando para puxar sua orelha, mas sim, parabenizá-lo, porque você é o maior artista que conheci em toda minha vida! E os dois morreram de rir !!!!!

Quando Paulo Egídio, nos últimos dias de mandato, foi visitar Biriba na Beneficência Portuguesa, em Rio Preto, ficou quase uma hora comigo e Mirian, esposa de Biriba, revelando sentir muito o acontecido.

 

Na despedida, muito emocionante, chorou conosco!

POLÍTICA EM TEMPO INTEGRAL

Sem populismo, sem demagogia, respeitando profundamente as pessoas, Biriba praticava o marketing intuitivo, isto é, fazia política o tempo todo, por impulso e prazer. Era um líder carismático em tempo integral. Chegando numa casa simples, ia logo para a cozinha, levantava a tampa das panelas, perguntando qual era o cozido, elogiando o aroma, enfim, uma conversa que levava a dona de casa ao delírio, tal a originalidade da conversa e o comportamento de simplicidade verdadeira.

Quando via um menino na porteira, perguntava quem morava ali, para quem o garoto torcia no futebol, e quem ele achava que ia ganhar a eleição.

A pesquisa nunca falhava, porque opinando sobre quem ia ganhar, revelava o voto da família.Quando suspeitava que fulano fosse do contra na política, pedia que eu fosse conversar com a pessoa para ver o grau de receptividade. A tese dele era que o eleitor não é racional, mas afetivo, logo, se fosse do lado dele, seria tratado com o maior carinho, por ser irmão. Se fosse contra, trataria com frieza. Das vinte ou trinta vezes que aplicamos essa técnica, não erramos uma só vez. Eu saia do contato e dizia logo para ele: esse é contra! Ou então: esse é seu. Meia dúzia de vezes ele ficou perplexo e até discordou de minha opinião, em princípio, mas depois teve confirmação oficial por outras vias. Esse método que ele inventou foi um ovo de Colombo para detectar o posicionamento do eleitor suspeito.

Outra técnica fantástica, também inventada por ele, porque nunca vi ou ouvi alguém falar a respeito, foi "gelar" os adversários mais radicais. Sabendo que era impossível conquistar o apoio de fulano, ia visitá-lo, ficava um bom tempo na casa da pessoa, jantava, almoçava, enfim, fazia tudo para "gelar" o sujeito. Dizia: sei, fulano, que você vai votar em sicrano e respeito muito sua opinião, afinal vocês são amigos, etc e tal. Minha visita é para dizer que a eleição passa e a amizade fica. Disputa política tem que terminar após as eleições. Se eu perder, vou fazer tudo para ajudar fulano, seu candidato. Se eu ganhar, espero contar com seu apoio e se você precisar de mim, pode contar comigo, para o que der e vier.

E gelava, com hidrogênio, o cabo eleitoral de seu adversário!

Outra técnica inventada por ele, porque nunca vi nada igual, foi levar uma câmera Polaroid nas visitas. Visitava a família, principalmente na zona rural, e, ao sair, seu companheiro de visita batia uma foto dele com a família, retirando em seguida e colocando, imediatamente, num porta retrato de papelão duro, durável e barato. A família com ele na foto era colocada em cima da televisão ou do móvel que se destacava para ser olhado. Ele sempre dizia: ao levantar cedo para votar, a pessoa bate os olhos na foto, dele com sua família, e pensa duas vezes antes de votar contra.

 DONA MIRIAN EM SUA VIDA

 Quando mudou-se para Aparecida D"Oeste, conheceu a professora cearense, Mirian Nazareth Alencar, casando pouco tempo depois, na Igreja de Jales. Padrinhos: Euplhy e Minerva Jalles e Edilio Ridolfo e Edite Moreira Ridolfo. Mirian e Biriba tiveram quatro meninas, A primogênita, Mirian Jaqueline, é dentista em Aparecida D'Oeste. A segunda filha, médica, recebeu o nome de Marília, em homenagem à filha de Doutor Edilio e dona Edite irmã de Olinto, por quem Biriba nutria um carinho especial. A terceira filha, Monica, herdeira principal do senso de humor de Biriba, é professora e atriz. A caçula, Moema, é professora e mora em Aparecida D’Oeste.

Desde a mais distante adolescência, Biriba fazia muito sucesso com as moças. Namorou de miss a artista, mas na hora de casar, optou por uma moça simples de Juazeiro (terra de José Wilker), Perguntei porque escolheu   uma moça diferente das que namorou, na hora de casar, respondeu: assim como no futebol, namoro é treino, casamento é jogo

Quando sofreu o acidente que o deixou em coma quatro anos e meio, antes de partir, foi cuidado por sua esposa como se fosse uma delicada flor, 24 horas por dia. Uma dedicação e amor que certamente não iria encontrar nas "top models" que passaram por sua vida.

Em 1977, quando trabalhava no SESC de Catanduva, hospedei Luiz Gonzaga em minha casa. Biriba trouxe Mirian para o show e, sabendo que Gonzagão ficaria em minha casa, vieram um dia antes. Entre uma conversa e outra, Luiz Gonzaga ficou sabendo que Mirian era prima de Patativa de Assaré, um dos maiores compositores nordestinos de todos os tempos e grande amigo de Luiz Gonzaga, que gravou várias músicas dele. Na hora do show, entre uma música e outra, falava de Mirian e Patativa de Assaré, exaltando sua presença.

Em 1981, quando dirigia o SESC de São José dos Campos, recepciono novamente Luiz Gonzaga, que já sabia do acidente de Biriba. Abriu o espetáculo, dizendo ao ginásio totalmente lotado, que o show seria oferecido a Biriba e Dona Mirian, mulher nordestina, companheira de cabeceira da cama, no amor e na dor.
                         

DEPOIMENTOS

Devemos a Biriba nosso início de carreira. Abriu para nós todas as portas da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo. Viemos aqui hoje, na Beneficência Portuguesa, dizer à senhora, D. Mirian, que jamais esqueceremos o Biriba. Fevereiro de 1979 - Chitãozinho e Xororó - Biriba foi o maior animador cultural que conheci em minha longa carreira artística. Quando nos visitava, passávamos horas inesquecíveis. Inhana também ficou sua grande amiga e admiradora.  Fevereiro de 1979 - Cascatinha. Dona Mirian: já falei para o Roberto e vou repetir para a senhora. Gente como o Biriba é como cometa: só aparece de século em século. Mario Zan - Hospital Sirio-Libanes - Março de 1979. Ao telefone, direto do norte de Goiás: Dona Mirian, a senhora é forte como uma pedra e eu gostaria de ter sua força. E o Biriba vai ser falado e lembrado por muitos e muitos anos.

Lambari - amigo e autor de uma frase profética: Mas que tremendo sujeito foi o Biriba!- Agnaldo Pavarin - Ex-Presidente da AMOP.-A rodovia que liga Jales a Aparecida D'Oeste deveria ter o nome do Biriba, do Oscar e do Osvaldinho, prefeitos que lutaram pela construção e a inauguraram com a própria vida! Osmar Novaes - Ex-prefeito de Rubinéia - 1982

" As múltiplas virtudes de BIRIBA são um exemplo para as novas gerações políticas. Fui seu ferrenho adversário político. Na Câmara Municipal de Jales, mas sentia por ele imenso respeito, porque era um ser humano de primeira grandeza. As divergências políticas são ocasionais, mas a grandeza é eterna "

Mensagem de Rollemberg que li no sepultamento de Biriba.

Roberto Gonçalves é Cientista Político


 

 

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