PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA    

 

 

Violência x Violência

                                                                                               

                                                                          Começo este artigo observando que é importante compreender que esse discurso de que a violência é uma conseqüência dos tempos modernos é um mito, uma baboseira. Sempre existiu a violência em todos os momentos da história. O que muda é a forma com que ela se manifesta que só faz refletir a cultura de determinada sociedade. 

                                                                                          Vivemos numa cultura materialista e individualista,  na qual visamos constantemente à fama, o poder,  à glória, etc. Isso, geralmente propicia a violência, pois somos ensinados desde criança que temos de correr na frente dos outros. Os filmes, hoje, mostram como herói aquele que mais agride o outro. Por exemplo, muitos jovens da favela entram para o crime, percebendo que os poderosos da comunidade são chefes do tráfico.                                       

                                                             O que acontece é que a sociedade precisa de leis, mas estas são como teias que só pegam coisas pequenas.

                                                                                -E os políticos, o que fazem? Os políticos brasileiros  são os politicos mais caros do planeta, deveriam, ao menos por isso, serem modelos de probidade, honradez e  ética, afinal de contas são eles que se candidatam a homens públicos e, sempre conseguem ludibriar a boa-fé dos incautos. Até quando? Depois de eleitos vão para suas casas legislativas transformá-las em latrinas onde montam seus balcões de negociatas, suas academias de trambiques.

                                                      Eu não me espanto mais com situações como estas nas  casas legislativas. Existe uma "aceitação" de que o dinheiro público é para ser usado sem o menor respeito; afinal não são os senhores membros das duas casas que suam para pagar os impostos e juros escorchantes deste País? Eles apenas gastam e não querem saber de onde veio. Não devemos execrar apenas os senhores Senadores e Deputados, acredito que nos outros poderes,  pelo que a midia divulga,   a "farra" é a mesma!

                                                                  Não estou falando só do crime organizado, dos traficantes ou das milícias. Refiro-me também aos ricos que têm seguranças, carros blindados e armas em casa. Cada um busca o seu próprio       bem.
                                                                   A preocupação dos brasileiros com a violência indica que grande parte da população não se sente segura. Como isso afeta a sociedade? - Tendemos a ter duas reações: a fuga ou o ataque. No primeiro caso, há literalmente a fuga, o êxodo para cidades mais tranqüilas, coisa bastante comum hoje. Também percebemos verdadeiras fortalezas nas residências, condomínios fechados que parecem cada vez mais com prisões. São tentativas desesperadas de se esconder. Quanto ao ataque, observamos pessoas que compram armas, contratam seguranças. De vez em quando acontece uma tragédia anunciada. Como diz o ditado: não é só a mão que puxa o gatilho, é também o gatilho que puxa a mão. O medo da  violência acaba gerando mais   violência.
                                                           A violência é sempre uma reação por algo passado ou presente. Por exemplo, no desenvolvimento da criança ela pode sofrer abusos, espancamentos, maus tratos, etc. Mais tarde frente a determinados fatos ela pode ter uma reação, muitas vezes inconsciente, expressando uma violência desmedida da frente à situação. Muitas vezes dependendo do que o individuo é submetido, ele pode apresentar uma reação de violência. Um animal em cativeiro é sempre violento. A violência é sempre uma reação e não uma ação. O que temos que compreender é que o ser humano é agressivo por natureza. Mas, aí citando Freud, somos todos educáveis. Assim é possível canalizar essa agressividade para atividades produtivas, sublimar os impulsos agressivos para a arte, esporte, educação, cultura, etc.,

PS. Dia desses assistia ao Globo Esporte quando escutei Galvão Bueno desesperado gritando: Um, dois, três... ACABOU, ACABOU, ACABOU, É O BRASIL! O BRASIL É CAMPEÃO DO MUNDO! Pensei: Mas o que será? Futebol não pode ser. Basquete e vôlei não são. Curioso olhei para a tela. Qual não foi minha admiração quando vi que o desespero do Galvão era por causa da vitória brasileira no tal do MMA ou UFC, nova febre do esporte em que dois indivíduos trocam sopapos, chutes e cabeçadas. Sai sangue pra todo lado e vence quem derruba seu oponente. Os gritos do Galvão me levaram a refletir:- Como podemos apreciar um esporte tão brutal e violento como esse UFC? Mesmo depois de milênios será que ainda nos comprazemos com as arenas romanas agora chamadas de octógonos?

 

 

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