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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA Michel Teló, BBB e os conceitos sobre cultura. Os assuntos mais discutidos nas primeiras semanas de 2012, ao menos nas redes sociais (que hoje pautam muita coisa), versam sobre a capa da revista semanal Época com o cantor (?) Michel Teló e sobre o início de mais uma edição do Big Brother Brasil transmitido pela Rede Globo de Televisão. Por sinal, apenas para constar, Época e Globo pertencem à mesma organização. O paranaense Teló foi parar na capa da publicação por ser o “cantor, compositor, multiinstrumentista” que mais tocou nas rádios em 2011. Sua música (?) “Ai Se Eu Te Pego” vendeu horrores. Ele fez centenas de shows, ganhou um bom dinheiro e a segunda revista semanal mais vendida do Brasil achou por bem colocá-lo na primeira capa do ano. Mais que isso: destinou 12 páginas, isso mesmo, 12 longas páginas e o apresentou como a tradução de “valores da cultura popular para os brasileiros de todas as classes”. Teló está na dele. Não tem culpa nenhuma. O Big Brother Brasil, por sua vez, chega à sua 12ª edição. A temática é mesma de sempre, em que pese à produção do programa tentar dar uma reciclada. Tem gente que fez carreira artística e até política no jogo. Vamos, enfim, aos fatos:- Inicialmente, fico numa enorme sinuca de bico. Porque se eu elevar Teló e o BBB à condição de “cultura” irei contra tudo àquilo que suponho ser cultura e estarei nivelando por baixo, o que efetivamente entendo o que seja cultura. Se eu chamar o músico e atração global de subcultura, os patrulheiros de plantão (e eles sempre estão presentes) vão me chamar de preconceituoso, burguês, e de desrespeitar a cultura, que eles assim entendem, diversificada e multifacetada do meu país. Então sobram duas óticas:- Teló e BBB são estratégias de marketing para ganhar dinheiro. E muito dinheiro. Simples assim. O Brasil passará por Teló, como já passou pelo Tcham, Créu, KLB, dancinha da garrafa e tantas coisas efêmeras que depois apodrecem nos sebos da vida. O BBB é a catarse humana em versão compacta. Da mesma forma que se coloca uma dúzia ou mais pessoas dentro de uma casa, para que se suportem, mas no fundo todos são inimigos e buscam o prêmio ou fama (ou ambos), também em nosso dia-a-dia lidamos com diversas pessoas que adoraríamos mandar para o paredão (e vice-versa), mas que a santa hipocrisia social nos (lhes) impede. Há, ainda, uma outra ótica. Essa muito mais perigosa e é dela que devemos (ou deveríamos) nos resguardar. Teló e BBB são braços fortes da grande mídia, em busca da hegemonia na comunicação, como nos ensina o mestre Vito Giannotti do Núcleo Piratininga de Comunicação. Quando a Época decreta que Teló traduz “valores da cultura popular para os brasileiros de todas as classes”, ela quer dar hegemonia ao Brasil. Dizer que somos todos felizes como os Smurfs e que a música de Teló, que faz sucesso com a doméstica e com o empresário, acaba por aproximar todos nós. Olha que lindo! Um país sem preconceitos, onde todos somos rigorosamente iguais. Por outro lado, o BBB, que (lembrando) pertence ao mesmo grupo de Época mostra que, sob confinamento, vence o mais forte ou o que cai no gosto da população. Dessa mesma população hegemônica que discutirá nas próximas semanas quem deve ir para o paredão e ficará a bisbilhotar se um novo casal é feito na casa (e, certamente, dois são desfeitos fora). Então, todas as terças à noite, o mercador de ilusões Pedro Bial, de forma histriônica, unirá um país de norte a sul, porque todos estarão (assim eles querem que seja) interessados em descobrir quem se dará mal naquela semana. Essa hegemonia, meus caros, é o nosso grande problema. O Brasil deveria buscar a discussão de assuntos de mais importância. Claro que devemos ter lazer. Claro que o lúdico, mesmo de gosto duvidoso é importante. E aqui não reside nenhum preconceito da minha parte. É que a hegemonia faz com que boa parte dos cidadãos acredite que tratar de temas polêmicos não lhes pertence. Mas pertence, sim. Só nesta semana posso destacar três: as questões que envolvem o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e a tentativa de abertura do Poder Judiciário, as chuvas que voltam sempre em janeiro (a Natureza é perfeita) e o pouco que se fez desde a desgraça do ano anterior e as eleições de 2012 que chegam logo, e há muito que mudar. Enquanto deveríamos gastar nosso tempo com isso, e reitero que não se trata de discussão de elites, a mídia hegemônica nos impõe coisas “desimportantes”. E isso também não é novidade. É o “velho e bom” Panis et Circenses com que a Roma Antiga brindava seu povo. A única diferença é que os gladiadores de hoje, não derramam uma gota de sangue sequer. Ao final de tudo mantenho a esperança de que dias melhores virão. Sempre acredito que o Brasil, enquanto sociedade, ainda é novo e devemos passar por tudo isso para que possamos amadurecer e chegar, um dia, aos conceitos de cultura de países nem tão longínquos daqui como a Argentina ou o Chile. Já estaria feliz. Corintiano Sylvio Micelli
Escrito por polettomarco às 13h46
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA Henfil e o Pasquim “O dia 4 de janeiro deste ano que, por falha deste colaborador, passou despercebido os vinte quatro anos da morte do Henfil em 1988, com seus poucos 44 anos, mas homenageia em síntese todas as causas que ele abraçou neste dia que é também marcado como o Dia do Hemofílico, em sua homenagem.” Há 42 anos, surgia o tablóide que iria influenciar o imaginário político-cultural das décadas de 1970 e 1980 — o Pasquim. Creio não estar cometendo o mínimo exagero ao afirmar que o dia 26 de junho de 1969, quando chegou às bancas o primeiro número, se projeta na história do jornalismo brasileiro como referência de suas mais caras tradições de luta. Seis meses antes, na noite de 13 de dezembro de 1968, fora decretado o tenebroso Ato Institucional número 5. O regime repressivo pós-1964 iniciava a sua etapa fascista: perseguições, torturas e assassinatos; castração dos direitos civis; censura nefasta/ominosa; desmantelamento das formas críticas de expressão cultural. O país vivia a ressaca do AI-5 e a parte da imprensa não-subserviente aos desígnios da ditadura militar atravessava uma fase de niilismo e perplexidades. A oposição ao regime, golpeada por cassações de mandatos parlamentares, suspensões de direitos políticos, inquéritos policial-militares, prisões e exílios, tateava por uma selva escura. Organizações de esquerda já optavam pela via armada. No ambiente sufocante, setores progressistas de classe média aspiravam por uma publicação que mantivesse a chama democrática acesa. O Pasquim cumpriria a missão, reunindo alguns dos mais brilhantes jornalistas, cartunistas e chargistas da época para satirizar o opressivo e desconjuntado dia-a-dia nacional. Todos cansados de esbarrar em linhas editoriais ditadas pelas conveniências das empresas de comunicação. Nomes como Sérgio Cabral, Tarso de Castro, Millôr Fernandes, Jaguar, Ziraldo Alves Pinto, Sérgio Augusto, Fortuna, Claudius Ceccon, Miguel Paiva, Paulo Francis, Luiz Carlos Maciel, Martha Alencar, Ivan Lessa e um jovem mineiro nascido em Nossa Senhora do Ribeirão das Neves, batizado de Henfil por Roberto Drummond, seu primeiro chefe e descobridor na gloriosa revista Alterosa, de Belo Horizonte, nos idos de 1963/1964. Este artigo relembra momentos marcantes de Henfil no veículo pioneiro da imprensa alternativa ou nanica dos últimos decênios. As passagens posteriores do cartunista pelo Caderno B do Jornal do Brasil (com os personagens da caatinga, Zeferino, Graúna, Bode Orelana) e pela revista Isto É (com as célebres cartas para a mãe) merecem lugar de proa no conjunto de sua produção. Mas os anos no Pasquim revestem-se de significado especial. Foi lá que este notável artista do traço se projetou nacionalmente, aos 25 anos de idade, com as endiabradas tiras dos Fradinhos, e viveu uma das fases mais criativas da carreira. O seu humor debochado, cortante e feroz se ajustaria como uma luva ao espírito indomável do Pasquim. Ao pé da letra, Henfil correspondeu ao perfil de cartunista que, na cabeça de Jaguar, faltava ao jornal: um sujeito que fizesse "humor porrada", duro na queda, com a virulência de um Don Martin, da revista Mad. Além do espaço precioso para dar vazão ao seu inconformismo com as injustiças e preconceitos sociais, Henfil sempre destacou o valor das transformações de linguagem, de estilo e de conteúdo que o semanário introduziu na cena jornalística. "O Pasquim foi a Lei Áurea da imprensa", avaliaria em depoimento a Jorge Ferreira (GAM, julho de 1976). "O jornal modificou a linguagem; nele se escrevia como se falava. Isso reformulou a propaganda no Brasil inteiro, libertou todo mundo, usou palavrões que daí em diante podiam ser falados. Por exemplo, pô, putisgrila, paca. (...). Recordar Henfil e os anos dourados do Pasquim permite-nos resgatar as sinergias entre duas forças que se completavam: o humor de combate daquele homem franzino e risonho, que conseguia captar, sem piedade e sem retoques, a essência do Brasil; e a bravura indômita do semanário que desafiava a cara feia dos censores e sabia, a cada edição, aquecer nossas esperanças e utopias. Lembro-me com que ansiedade eu e alguns colegas, em pleno reinado de trevas do general Emílio Garrastazu Médici, aguardávamos semanalmente o dia de comprar o Pasquim. Era como se nossas precoces vocações para o que der e vier dependessem daquela ponte mágica para alcançarem a outra margem do rio caudaloso, onde suspeitávamos que estivesse a melhor profissão do mundo (a definição é de Gabriel García Márquez, primeiro diretor da agência cubana Prensa Latina, escolhido pelo comandante Ernesto Che Guevara). Ainda hoje, creio que o valioso legado da dupla Henfil-Pasquim acentua um dos traços mais fascinantes do jornalismo: a possibilidade concreta de intervir nos processos político e sociocultural, de olhos postos na construção de um futuro solidário e justo. No caso do Pasquim, com doses demolidoras de sarcasmo e ironia. No caso de Henfil, com seu talento — magistralmente apontado por Jânio de Freitas no prefácio do livro O rebelde do traço: a vida de Henfil — para “oxigenar as mentes oprimidas pelo pesadelo diuturno que era a boçalidade ditatorial”.
Escrito por polettomarco às 14h51
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 2012 Viver é administrar contradições, sorrir a vitória das aspirações, chorar sonhos interrompidos, errar e acertar, falar e ouvir, acreditar nos sons e imagens que sustentam nossa existência. Amanhecemos 2012 sonhando um ano diferente, como acontece todos os anos. Abrimos os jornais e muita notícia ruim, principalmente no campo da política e dos costumes. Eu quero escrever sobre tantas coisas neste ano que se inicia e fico meio, sei lá...Não quero falar de política de corrupção. Já falei tanto desses temas neste Jornal que as letras “C e P” do meu teclado estão meio apagadas. E não vai ser a por falta de idéias que eu não vou escrever. Dá vontade de sair correndo... Eu gosto muito de escrever e tenho, dependendo do assunto certa facilidade de escrever. O grande drama é procurar assunto. Eu sempre estou pensando no que vou escrever e, às vezes nem sempre a gente acerta, mas, para mim, não é um sofrimento não Idéias onde buscá-las? Idéias onde guardá-las? Por que será que tudo me parece muito parecido? Ainda há sobre o quê escrever? Será que tudo já foi dito? Escrever tem que ser sempre a mesmice de falar desta casta maldita de políticos, com suas infidelidades partidárias que desonram a própria classe ? Não quero chegar mais perto e contemplar as palavras de Drummond, cada uma com suas mil faces secretas, sob a face neutra, nem quero responder a sua pergunta desinteressada na minha resposta: somos todos trouxas assim? Se eu pudesse psicografar o Paulo Francis escreveria uma bela matéria no Diário da Corte, mas seria muito extensa a matéria e o Editor não publicaria. Seu eu pudesse, também, psicografar o Tarso de Castro escreveria sobre a criação do Pasquim. É verdade que mais na lenda do que na história – porque ele não o criou sozinho. Jaguar e Sérgio Cabral foram seus sócios na origem do jornal, em 1969, sem falar no brilho individual dos primeiros colaboradores, como Millôr Fernandes, Ziraldo, Claudius, Fortuna, Henfil, Luiz Carlos Maciel, Paulo Francis e o diretor de arte Carlos Prospéri. Mas, com sua audácia e criatividade, Tarso foi o amálgama inicial para a imagem debochada do Pasquim, numa época em que o AI-5 acabara de fechar os canais políticos sérios. Poderia falar sobre como era gostoso o velho PT e a história de sua fundação em Jales. Como participei da sua fundação. Talvez o maior sonho político de toda minha vida. Éramos sonhadores límpidos e puros como as águas de riachos cristalinos. Cabelos longos, idéias borbulhantes, a desesperada vontade de acabar logo com a ditadura militar e fazer do Brasil uma nação socialista. Lembro-me como se fosse hoje da forma, da coragem, da determinação em que agia a famosa militância do PT. Uma militância honrada e com um contexto ideológico de primeira linha.Mas, tudo isso acabou...Saudades... Hoje, a falência dos partidos políticos brasileiros é o principal sinal vermelho de que alguma coisa precisa ser feita com urgência. Com a morte cívica e moral dos partidos, restou um aglomerado fisiológico no poder, disputando, como no tempo da lei seca americana, época de Al Capone, quem rouba mais o governo ou o contribuinte. Tragédia maior ainda é a existência de uma oposição dizimada e desunida, concentrada em projetos pessoais de poder e não, como acontece nos países de primeiro mundo, em projetos partidários. E você que lê e não sabe, Você que reza e não crê, Você que entra e não cabe. Você que fuma e não traga, você que não paga pra ver...Ah! se eu fosse o Vinícius, você ia ter que viver na tonga da mironga do kabuletê!! Ai, as idéias não me faltam... mas essas palavras se recusam a me obedecer, e meu coração caminha por caminhos fora do meu corpo. Se eu fosse Nikos Kazantzakis, autor de Zorba, o Grego, provavelmente já estaria aterrorizado com essas letras do alfabeto, isso porque uma vez soltas elas se recusam a obedecer minhas ordens. Rubem Alves dizia: quando começo a escrever deixo de ser dono de mim mesmo. Fico à mercê de idéias que nunca pensei. E aqui estão elas aparecendo sem que eu as tenha chamado e me dizem: “Escreva!“ Não tenho alternativa. Obedeço. Se fica o dito pelo não dito, quem, afinal é o dito cujo? Será o Benedito? Oh! Essa maldita corrupção! Quem me dera encontrar o verso puro, O verso altivo e forte, estranho e duro, Que dissesse a chorar isto que sinto! Desisto!! Não vou conseguir escrever, fico novamente com a Lispector, só me resta ficar nu, nada tenho mais a perder. Feliz 2012.
Escrito por polettomarco às 12h02
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EU ODEIO SERTANEJO O presente texto é uma reflexão estressada do blogueiro. Suas opiniões são realmente essas, mas todas elas dizem respeito à música e não aos que a ouvem (esses são heróis por agüentar tamanha porcaria). Se você acha que pode se ofender com o que está escrito nas próximas linhas, sugiro que não role o mouse e evite descer. Para os que se aventurarem, boa leitura. Se a sobreposição de notas uma após a outra atendendo um regramento básico a soar uma melodia for o que se costuma chamar de música, então, há que se chamar esse gênero chamado sertanejo de música. Apesar de um lixo. Sim, eu não gosto de música sertaneja. E, ao se dizer sertanejo, leia-se esse tipo de poluição sonora que surge nas rádios e nas ruas com um poder de destruição mais forte que o das pragas do Egito. Aliás, que nem vinculação com o Sertão possui. O fato é que não se acha qualidade no que se ouve. Provavelmente a preguiça mental– que parece ser regra nas pessoas –faz com que se valorize o nada, achando que no nada se entende alguma coisa. Alegam os que apreciam a dita música (?!) que ela fala o que de fato é e revela o que todo mundo sente. Se assim o é, não há novidade no que se canta – o que torna ainda mais raso o ato de compor, já que se compõe o que já se sabe como é. Possuir uma legião de “admiradores” não é nenhum atestado de qualidade. Há uma grande parcela de pessoas que se rendem aos ditames midiáticos. Se a mídia aprova, quem sou eu pra desaprovar. Se tantos ouvem, são esses tantos os que estão certo, logo, não preciso se quer ouvir para já concordar que é bom. E enquanto isso o mundo caminha para o seu fim... O mais triste é ver algo tão desprovido de qualidade fazer sucesso em um Brasil que tem na sua música – a boa música brasileira – um de seus maiores referenciais no exterior. Nossos músicos – Ivan Lins, Tom Jobim, Sérgio Mendes, Bebel e João Gilberto, Céu, Astrud Gilberto, Dorival Caymmi, Chico Buarque e tantos outros são reverenciados no exterior pela qualidade da música que fazem ou fizeram, e no Brasil se quer alcançam respeito. A música sertaneja é pobre. Música feita pra gente pequena (sem que necessariamente seja pequeno quem a ouve) e é onde me causa espanto quando vejo pessoas a quem julgo intelectualmente desenvolvidas, vibrando em rimas de amor com dor, paixão com solidão... Lamentável. Na música sertaneja não se acha o ritmo sincopado deliciosamente presente no violão dos inventores da bossa nova, devidamente acompanhado pelo jeito macio de se cantar o sol, o verão, as alegrias e até o amor. Não há virtuosismo. É uma música que se toca em 6 (seis) acordes nas suas formações naturais, cantados por duas vozes onde uma delas não é nem ouvida o que dirá sentida. Não há harmonia que preste, dissonâncias, boa dinâmica e nem arranjos elaborados (basta um reles solo de guitarra em 04 compassos e lá vamos nós...) A qualidade das letras é, invariavelmente, tão chinfrim, que não há sequer qualidade. Há apenas o relato de um amor que não deu certo porque a mulher se viu mais feliz nos braços de outra pessoa. Convenhamos, meu amigo, essa mulher deve ter encontrado alguém que não escutava sertanejo e encontrou a felicidade. Pra mim é desesperador assistir as pessoas em estado de catarse entregues a esse barulho desregrado e sem dinâmica, como se estivessem sob efeito de um transe... como se fossem platéia de um show do Greenday após a experimentação das raízes da natureza. Esse desesperado que se faz gigante quando assisto minha irmã se realizando nisso que se pretende música; quando vejo uma namorada vibrando em meio a um repertório tão deselitizado e ainda por cima, uma irmã de apenas 09 anos, acreditando que isso é bom. Meu Deus, por que castigo tão grande para alguém como eu? E vou além. Só não digo que o tal do movimento do Sertanejo Universitário é o mais lesivo a boa música brasileira nos últimos tempos, porque nesse ínterim surgiu o funk. Mas é um movimento “desarrazoado” que quis dar chance a cantores (?!) que em um mundo real não teriam a menor condição de dar certo. Péssimo... Claro que esse meu sentimento representa nada pra esses pretensos artistas que a cada dia vêem suas contas bancárias crescerem milhares de milhões de reais, frutos de uma sociedade que adotou a falta de critério como qualidade para definir o que se é bom. São Durvais, Welsons e Mirosmares que diariamente lançam esses lixos para o consumo daqueles que preferem viver em meio dele. O pior é que, muitas vezes, para fazer graça, a pessoa se permite fazer uma brincadeira, canta um trechinho de uma letra que ficou enraizado no subconsciente ou qualquer outro fato que já surge motivo para que a pessoa outra reverbere aos 04 ventos que tanto você gosta da música que até sabe cantar. Ora, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. E vice-versa. Fato é que a boa música deve dizer muito mais do que ela diz e deve ser envolta de uma atmosfera condizente com a mensagem que quer passar. Devidamente elaborada, cuidadosamente trabalhada, para que atinja a alma das pessoas, dizendo muito, mas revelando nada. O Sertanejo não faz nada disso, mas apenas enche os ouvidos de uma harmonização básica, fria e desprovida de qualidade, sem inarmonia, sem efeitos no ouvinte pela sua suavidade e percepção, principalmente se comparadas à Tom Jobim, Edu Lobo, Toquinho, Francis Hime, Egberto Gismonti, Arrigo Barnabé, Itamar Assumpção, Baden Powell, Ivan Lins e tantos outros. As letras são pobres e isso em uma língua tão rica como a portuguesa, para que se diga em, Chico Buarque, Vinícius de Moraes, Victor Martins, Aldir Blanc, Ronaldo Bôscoli, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Flávio Venturini, Gonzaguinha, Cazuza e mais tantos outros. Não faço questão que gostem do que gosto. Muito embora me fosse muito mais saudável para os meus nervos que a minha convivência se desse com os que preferem se abster de ouvir essa excrescência da música brasileira. Música de letra pobre, escrita para ter como alvo pessoas pequenas, que se permitem nivelar por baixo (“coisas esotéricas passando pela cabeça de quem se entende um possível jardim como os que para onde voltam às borboletas”), tão baixo que alcança o nível da própria música. A letra precisa conter algo que leve a reflexão de um tudo... mas as pessoas preferem o caminho mais fácil. A essas, por mais que o gosto seja algo próprio de cada um, é cada vez mais difícil respeitar. O fato é só que... EU ODEIO SERTANEJO e, por favor, desistam de tentar mudar isso em mim.
(DO BLOG O TROVANTE)
Escrito por polettomarco às 20h55
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Família Do livro "Arroz de Palma" - de Francisco Azevedo. Família é prato difícil de preparar. São muitos os ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível... Às vezes, dá até vontade de desistir. Vem a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (ah, a vida...azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana? Ah, essa saiu a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que mais surpreendeu ao ir morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente. E você? É...você mesmo, você que me lê... Você que me lê os pensamentos e veio aqui me fazer companhia. Como saiu no álbum de retratos? O mais prático e objetivo? A mais sentimental? A mais prestativa? O que nunca quis nada com o trabalho? Seja quem for não fique aí reclamando do gênero e do grau comparativo. Reúna essas tantas afinidades que fazem parte da sua vida. Não há pressa. Eu espero. Já estão aí? Todas? Ótimo. Agora, ponha o avental, pegue a tábua, a faca mais afiada e tome alguns cuidados. Logo, logo, você também estará cheirando a alho e cebola. Não se envergonhe de chorar. Família é prato que emociona e, a gente chora mesmo. De alegria, de saudade, de tristeza, de todos os sentimentos. Mas...há que tomar alguns cuidados... Primeiro cuidado: temperos exóticos alteram o sabor do parentesco. Mas, se misturadas com delicadeza, estas especiarias, que quase sempre vêm da África, do Oriente ou da Europa, e nos parecem estranhas ao paladar,tornam a família muito mais colorida, interessante e saborosa. Tornam a família um prato único,insubstituível, Um prato que tem que se degustar com o coração... Família é afinidade, é “à Moda da Casa”. E cada casa gosta de preparar a família a seu jeito. Há famílias doces. Outras, apimentadas. Há também as que não têm gosto de nada, seriam assim um tipo de Família Dieta, que você suporta só para manter a linha. Seja como for, família é prato que deve ser servido sempre quente, quentíssimo. Uma família fria é insuportável, impossível de se engolir. Enfim, receita de família não se copia, se inventa. A gente vai aprendendo aos poucos, improvisando e transmitindo o que sabe,no dia a dia. A gente cata um registro ali, de alguém que sabe, conta prá alguém,que nada sabe, e outro aqui, que ficou no pedaço de papel porque nada se pode contar já que nada se sabe....que pena... Muita coisa se perde na lembrança. Principalmente na cabeça de um velho já meio caduco como eu. O que este veterano cozinheiro pode dizer é que, família é prato que você tem que experimentar e comer. E principalmente saborear.Sem pressa... Não ligue para etiquetas. Passe o pão naquele molhinho que ficou na porcelana, na louça, no alumínio ou no barro. Aproveite ao máximo. PORQUE... família é prato que, quando se acaba, nunca mais se repete. Pense nisso....
Escrito por polettomarco às 16h27
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA Papai Noel Todo escritor, artista, filósofo, músico ou ser humano que se preze já escreveu cartas a alguém. Woody Allen escreveu para Platão; Rilke, a um jovem poeta; Kafka, ao pai dele; Pero Vaz de Caminha, ao Rei D. Manuel; Van Gogh, a Théo; Mário de Andrade, a Câmara Cascudo; Mariana Alcoforado, ao léu; Scott e Zelda Fitzgerald, um ao outro; eu, ao Papai Noel... Em todo Natal faço um “revival” dos Natais passados e com muita saudade vem à lembrança, ainda muito presente em minha memória, o quanto era bela a nossa vida de criança. Na nossa concepção infantil, Natal era uma festa muito bonita em que o Papai Noel descia do céu trazendo uma infinidade de presentes para todas as crianças do mundo, fossem elas ricas ou pobres. Era uma magia só! A gente aguardava avidamente a chegada dessa solenidade e, com ingenuidade e alegria, escrevíamos as cartinhas para o Papai Noel, pedindo os brinquedos que desejávamos ganhar. Nós colocávamos os sapatinhos e meias aos pés da cama ou na janela e era grande a nossa felicidade ao despertar na manhã de Natal e vê-los cheios de presentes e balas. Era uma festa. Lembro-me de que, há muitos anos, escrevi uma carta ao Papai Noel pedindo uma bicicleta. E ganhei. Hoje, não pediria bicicleta... pediria um prefeito melhor para minha cidade. Esse é o pedido que faria neste Natal para Jales: “que, no dia 25 de dezembro, nossa população acordasse com um prefeito melhor e um imenso conhecimento-coletivo”. Mas, diria ao Bom Velhinho: - cuidado, Papai Noel, ao chegar a Jales: o trânsito é uma droga, porque para atravessar a rua de um lado para o outro o povo usa carro. Nossas ruas estão uma calamidade com tantos buracos e lixo. Estacionar no centro é um inferno, não existem vagas. Não respeitam nem as vagas dos deficientes e ninguém fiscaliza. A saúde é uma tristeza. Empregos? Só nas cidades vizinhas. E a habitação! Meu Deus, vinte e poucas casas em sete anos. O mandatário mor teve todas as chances e apoio (inclusive do governo federal) para fazer um governo sério, futurista, dinâmico, mas preferiu seguir por outros caminhos. Hoje, a melhor coisa que ele, o mandatário mor poderia fazer para a cidade era parar com essas liminares e pensar na possibilidade deixar o cargo, a bem do serviço público e da maioria da população. Outra coisa que pediria ao Papai Noel era que nossa cidade tivesse um Natal mais digno, mais justo e mais estruturado. É a única coisa que, não só eu, mas toda população quer por aqui. Mas, infelizmente é só abrir os jornais e ler, ler e ler... tanta fraude, tanta falcatrua, tanta falta de zelo da prefeitura pela cidade e população que, ao invés de estar montando minha árvore de natal, estou aqui escrevendo este artigo. Os jalesenses não merecem mais isso, não merecem mais vivenciar essas histórias obscuras, nem passar mais quatro anos com esses perus entalados na garganta, enquanto veem uma cidade ornada de lixo e sujeira pública. Eu sei que o conhecimento não chega de repente, precisa de anos para se formar, por isso, desejo para minha cidade muitas escolas bonitas, com espaço suficiente para todos os alunos, todas com os equipamentos necessários, laboratórios, computadores, televisões, antenas parabólicas, quadras esportivas, bibliotecas, teatros e cinemas, desejo que nenhuma criança saia da escola antes de completar o ensino médio e que sejam alfabetizados os adultos que ainda não sabem ler. Mas sei que não é possível receber de presente o conhecimento coletivo – nem escolas com seus equipamentos e professores. O investimento educacional só pode ser feito pelo próprio povo e por seus líderes. Por isso, neste Natal, gostaria de pedir também uma nova geração de líderes, como o melhor presente para Jales. Líderes que tenham o compromisso de transformar Jales. Mas isso tampouco vai nos chegar sob a forma de presente. Não há presentes na política. Mas os líderes são eleitos pelo povo. Portanto, desejo que cada jalesense seja o Papai Noel elegendo, no ano de 2012, os líderes de que precisamos para fazer a revolução que nossa querida Jales precisa. Sobretudo, desejo que, graças ao voto, nossa cidade se transforme e não seja mais preciso eu pedir ao Bom Velhinho um prefeito melhor nos futuros Natais. Feliz Natal.
Escrito por polettomarco às 12h02
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA Escrever... é uma arte? Essa semana um amigo me passou um texto, via e-mail, muito interessante de Stephen Kanitz sobre como escrever artigos e convencer as pessoas com a sua opinião. Tendo em vista que alguns gatos pingados ainda têm paciência para ler meus artigos e acessarem meu blog, iniciei uma pesquisa sobre jornalismo opinativo. Achei pertinente compartilhar este documento com vocês também, “queridos leitores”. Como afirma Kanitz, “o segredo de um bom artigo não é só talento, cultura, mas dedicação, persistência e manter-se ligado a algumas regras simples”. Cada colunista tem os seus padrões. Segue abaixo uma síntese das sete dicas desse grande escritor para argumentar bem: 1. Sempre escreva tendo uma nítida imagem da pessoa para quem está escrevendo. Imagine alguém com 16 anos de idade ou um pai de família. A maioria escreve pensando em todo mundo, querendo explicar tudo a todos ao mesmo tempo. Ter uma imagem do leitor ajuda a lembrar que não dá para escrever para todos no mesmo artigo. Você vai ter que escolher o seu público alvo de cada vez, e escrever quantos artigos forem necessários para convencer todos os grupos. 2. Há muitos escritores que escrevem para afagar os seus próprios egos e mostrar para o público quão inteligentes são. Querer se mostrar é sempre uma tentação, mas, tendo uma nítida imagem para quem você está escrevendo, ajuda a manter o bom senso e a humildade. Querer se exibir nem fica bem. Resumindo, não caia nessa tentação, leitores odeiam ser chamados de burros. Leitores querem sair da leitura mais inteligentes do que antes, querem entender o que você quis dizer. 3. Releia e reescreva os seus artigos quantas vezes forem necessárias. Ninguém tem coragem de cortar tudo o que tem de ser cortado numa única passada. Parece tudo tão perfeito, tudo tão essencial. Por isso, os cortes são feitos aos poucos. 4. Você normalmente quer convencer alguém que tem uma convicção contrária à sua. Se você quer mudar o mundo terá que começar convencendo os conservadores a mudar. Dezenas de jornalistas e colunistas desperdiçam as suas vidas ao serem tão sectários e ideológicos que acabam sendo lidos somente pelos já convertidos. Não vão acabar nem mudando o bairro, somente semeando ódio e cizânia. 5. Cada ideia tem de ser repetida duas ou mais vezes. Na primeira vez, você explica de um jeito, na segunda, você explica de outro. Informação é redundância. Você tem que dar mais informação do que o estritamente necessário. 6. Se você quer convencer alguém de alguma coisa, o melhor é deixá-lo chegar à conclusão sozinho, em vez de você impor a sua. Se ele chegar à mesma conclusão, você terá um aliado. Se você apresentar a sua conclusão, terá um desconfiado. Então, o segredo é colocar os dados, formular a pergunta que o leitor deve responder dar alguns argumentos importantes e parar por aí. Se o leitor for esperto, ele fará o passo seguinte, chegará à terrível conclusão por si só e se sentirá um gênio. 7. É preciso ser conciso, direto e achar soluções mais curtas. Escreva um texto de quatro páginas, depois, reduza a duas e, mais adiante, a uma. Assim, você aprende a tirar as “linguiças” e redundâncias. Para finalizar, quero colocar que, quem escreve artigos no jornalismo brasileiro tanto pode ser um jornalista, pertencente aos quadros regulares da instituição noticiosa, quanto um colaborador – escritor, professor, pesquisador, político, profissional liberal – convidado a escrever sobre assunto da sua competência. O artigo é um gênero jornalístico peculiar à imprensa. Sua expressão não ocorre no rádio e na televisão, pela natureza abstrata que possui. Nos veículos audiovisuais, o papel que cumpre a intelectualidade através dos artigos de jornal é suprido por intermédio da entrevista. Certos artigos publicados na imprensa têm potencialidades para ser considerados uma produção literária. “Articulistas e cronistas são autênticos literatos, e, não tendo, como o profissional do dia a dia, de submeter-se à maior pressão do tempo reduzido da produção diária, podem burilar suas matérias; não raro tornando-as antológicas e conferindo-lhes aquela perenidade que constitui exceção no exercício da atividade jornalística” É isso.
Escrito por polettomarco às 11h04
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NOVO PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE JALES 
PARA OS PATRULHEIROS DE PLANTÃO : A COMPARAÇÃO É APENAS O SORRISO.
Escrito por polettomarco às 18h50
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA Jovens Políticos Lúcio Aneu Séneca, foi um dos mais célebres escritor, pensador e intelectual do Império Romano. Conhecido também como Séneca (ou Sêneca), o Moço, o Filósofo, ou ainda, o Jovem, sua obra literária e filosófica, tida como modelo do pensador estóico durante o Renascimento, inspirou o desenvolvimento da tragédia na dramaturgia européia. É dele a citação: “líder não surge da noite para o dia”. Um líder, principalmente político deve reunir algumas características que o distingam verdadeiramente como homem político em posição de poder e em pleno sentido de exercer liderança. Ou seja, que tenha a capacidade de liderar, que tenha em essência o espírito de chefia política. Essa liderança não se aprende nos livros e nem surge naturalmente, mas deve ser conquistada ao longo de alguns anos, a partir de uma trajetória de realizações, marcada pela retidão moral, coisa que a cultura política acostumou-se a chamar de ética. Toda semana estamos acostumados a ver matérias nos jornais locais e da região, principalmente matérias com fotos onde se lê: estavam presentes lideranças e bla´,blá, blá! Eu acho que precisamos separar o joio do trigo:- autoridades e lideranças empresariais são uma coisa, liderança política é outra e completamente diferente! Quanto aos jovens...ah! os jovens!!! como apurar jovens como futuros líderes, se muitos dos jovens atuais preferem optar por estar longe da vida política do seu país, ficando centrados no seu próprio "umbigo”!?? Esses moços, pobres moços..., devem começar a fazer política pública não só em Jales, e no Estado de São Paulo, mais sim em todo o Brasil. É importante o jovem ter uma opinião, uma ideia (o que é difícil hoje em dia!), e, principalmente, saber o que está acontecendo na cidade e, acima de tudo, largar um pouco o copinho e a latinha da mão, baixar os tampões dos carros e não achar que o mundo vai acabar amanhã! Existe hoje o “trabalho” (ufa!!!!!) dos “nossos” vereadores na Câmara Municipal, e a maioria dos jovens de Jales não sabe o que está ocorrendo nas várias trincheiras daquela colenda casa de leis e, está muito pouco interessada em saber, em participar, em cobrar, etc.! Deveriam – os jovens - estar com olhos muito mais abertos. Jovem que gosta de política atualmente é coisa rara. São muitas as desilusões com candidatos e partidos. A principal razão que afasta os jovens da política é o modo arcaico como ela é abordada. Dessa forma, é a política que acaba abandonando os jovens. Os jovens brasileiros, segundo a UNICEF, consideram os partidos políticos importantes, mas preferem não participar de uma legenda por não gostarem de política e por acharem que não possuem amadurecimento. Com isso somente uma minoria vota e faz campanha para o candidato que a família manda. Mas, não é preciso ir muito longe para saber o que os jovens querem atualmente da política. DISTÂNCIA! Conversando com um grupo de jovens, cheguei à conclusão que o distanciamento da juventude não se deve ao fato de não terem senso crítico, mas sim aos maus exemplos que alguns políticos cotidianamente nos transmitem:- “ inúmeros casos de corrupção, diversos escândalos políticos, bem como uma enorme falta de ética”. Isso faz com que os jovens não tenham confiança e, pior ainda, não lhes permite entender que, para haver uma mudança significativa neste quadro, é fundamental a participação deles no exercício da cidadania. É realmente triste perceber que, no Brasil, ainda é muito pequena a participação dos jovens em debates relacionados à política. Outro detalhe importante é que os partidos políticos têm se interessado até agora, apenas pela capacidade de mobilização desses jovens só em épocas eleitorais. Pouco ou nada investem na chamada e decantada formação política dessa juventude. Porém, com os maus exemplos de atuação partidária e de práticas políticas dos nossos atuais agentes públicos, era de se esperar a apatia e desinteresse pelo debate político que se abateu sobre a sociedade e em especial sobre os jovens. É mais que chegada a hora dos partidos políticos olharem com mais interesse a atuação desses seus “institutos” destinados a essa formação política, sob pena de verem se esvair até mesmo essa capacidade de mobilização de nossos jovens. Com tudo isso, eu pergunto:- como vamos apurar novos líderes?
Escrito por polettomarco às 10h24
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA Colcha de retalhos. Nesta terrinha aqui descoberta por Cabral, cada deputado e senador têm direito de apresentar emendas individuais à proposta orçamentária do governo federal. Esse direito está definido no Regimento do Congresso. Para as emendas, o governo estabelece uma “reserva de contingência”, que são os recursos a serem utilizados nas propostas dos parlamentares. Desde o início do ano, os parlamentares recebem de suas bases nos estados reivindicações de obras como construção de escolas, postos de saúde, barragens, estradas, entre outros. Geralmente, as emendas individuais são “destinadas a projetos a serem executados nos municípios” que constituem a base política do parlamentar Querido leitor e eleitor deste jornal, sabe o quanto cada deputado federal e cada senador têm direito a indicar por ano em Emendas ao Orçamento da República? Dinheiro para distribuir nas bases eleitorais? Não sabe? Então saiba: cada ilustre representante do povo no Parlamento da República indicou, em 2011, a importância de R$ 13 milhões, na forma de Emendas Parlamentares. Dinheiro para distribuir a entidades de caridade, clubes esportivos, custear serviços sociais, enfim, para “beneficiar a população” (sic). Simplesmente R$ 13 milhões em 2011 para cada parlamentar. Em apenas seis anos, os representantes federais do povo legislaram em causa própria e aumentaram os recursos públicos para Emendas Parlamentares em 371%. Com a distribuição de dinheiro de Emendas nas bases eleitorais, um deputado federal consegue manter-se como “benfeitor público” por quatro anos seguidos (tempo do mandato dele). São os “deputados obreiros” que usam dinheiro público para aparecer diante da população despolitizada como “benfeitores do povo”. Tudo isso é muito preocupante, mas muito mais preocupante, principalmente é o número de deputados envolvidos com o esquema de venda de emendas parlamentares. As emendas além de pulverizar recursos que são escassos, deixam de trabalhar no estratégico. É por onde começa a promiscuidade com o interesse privado. É importante também que o orçamento seja impositivo, ou seja, uma vez aprovado pelo Congresso deve ser executado pelo Executivo. Quem acompanha a liberação de emendas observa no dia a dia das votações, o fluxo da liberação das emendas, por partido, vai de acordo com a simpatia ou não com o tema. As emendas parlamentares são na maioria das vezes destinadas para a execução de obras que não atingem diretamente a maioria da população. O critério para definição dos recursos é político e raramente técnico. Se um prefeito não tem um deputado ou senador que o represente diretamente ou por divergências políticas o parlamentar resolve não ajudar este ou aquele prefeito, os recursos jamais chegam a determinados municípios Principal capital político de deputados federais em suas bases eleitorais virou um pesadelo para alguns prefeitos, a ponto deles quererem acabar com a possibilidade de os parlamentares destinarem parte das verbas para obras em seus municípios. Emenda Eleitoral é fator de aliciamento e de corrupção no processo político parlamentar brasileiro. Os deputados e senadores aprovam as Emendas Parlamentares no Orçamento Anual, e o Poder Executivo, para liberar os recursos aprovados, exige dos representantes da Base Aliada, fidelidade canina para liberar as tais Emendas Parlamentares. E assim caminha nosso Parlamento.
Escrito por polettomarco às 11h37
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA BARÃO DE ITARARÉ Al Barón de Itararé un grande entre los grandes, con respeto le saluda de pie el poeta de los Andes: (Pablo Neruda (1945)) Hoje, 27 de novembro de 2011, estão completando 40 anos da morte desse gênio. Toda a honra aos escritores, aos revolucionários do Brasil, aos homens das Letras, os de palavra, os que fizeram, na forma literária, algo mais que Literatura. Brigaram pela cultura e pela História do nosso solo. Ao verdadeiro jornalismo do Brasil! Nossos homens de verdade, os que de verdade escreveram… E é por isso que, de certa forma, Aparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, o Barão de Itararé, que nasceu na cidade de Rio Grande, interior do Rio Grande do Sul, próximo à fronteira do Uruguai, em 29 de janeiro de 1895, vem cumprimentar os leitores. Uma homenagem aos leitores, sobre um homem de cultura infinita, escritor inquieto que, dentre outras facetas, inspirou Graciliano Ramos em sua compilação no livro Memórias do Cárcere. Sua veia jornalística, ímpar, o leva a caminhos desconhecidos da verdadeira arte da comunicação. Uma questão de talento nato de quem nasceu para redigir, de forma romântica, a vida, sem perder de vista a informação. Significa que Barão de Itararé é um jornalista, escritor, ensaísta, e prosaico homem que fez pelo povo brasileiro o que poucos brasileiros da comunicação fariam, já que sua ira jornalística comprova seu anseio e amor apaixonado pela informação. Muito raro, sem dúvida. Apparício Torelli, Barão de Itararé, o Brando, "campeão olímpico da paz", "marechal-almirante e brigadeiro do ar condicionado", "cantor lírico", "andarilho da liberdade", "cientista emérito", "político inquieto", "artista matemático, diplomata, poeta, pintor, romancista e bookmaker", como se definia, era gaúcho e é um dos maiores humoristas de todos os tempos. Dele disse Jorge Amado: "Mais que um pseudônimo, o Barão de Itararé foi um personagem vivo e atuante, uma espécie de Dom Quixote nacional, malandro, generoso, e gozador, a lutar contra as mazelas e os malfeitos". Máximas e Mínimas do Barão de Itararé :- .De onde menos se espera, daí é que não sai nada. .Mais vale um galo no terreiro do que dois na testa. .Quem empresta, adeus... .Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira os cinco dedos. .Quando pobre come frango, um dos dois está doente. .Genro é um homem casado com uma mulher cuja mãe se mete em tudo. .Cleptomaníaco: ladrão rico. Gatuno: cleptomaníaco pobre. .Quem só fala dos grandes, pequeno fica. .Viúva rica, com um olho chora e com o outro se explica. .Depois do governo ge-gê, o Brasil terá um governo ga-gá. ( Ge-gê: apelido de Getulio Vargas. Ga-gá: referia-se às duas primeiras letras no sobrenome do novo presidente, Eurico Gaspar Dutra). .Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga. . Neurastenia é doença de gente rica. Pobre neurastênico é malcriado. . O voto deve ser rigorosamente secreto. Só assim , afinal, o eleitor não terá vergonha de votar no seu candidato. . Os juros são o perfume do capital. . Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados. O banco é uma instituição que empresta dinheiro à gente se a gente apresentar provas suficientes de que não precisa de dinheiro. . A gramática é o inspetor de veículos dos pronomes. . Tudo seria fácil se não fossem as dificuldades. . Sábio é o homem que chega a ter consciência da sua ignorância. . Há seguramente um prazer em ser louco que só os loucos conhecem. . É mais fácil sustentar dez filhos que um vício. . A esperança é o pão sem manteiga dos desgraçados. . Adolescência é a idade em que o garoto se recusa a acreditar que um dia ficará chato como o pai. . O advogado, segundo Brougham, é um cavalheiro que põe os nossos bens a salvo dos nossos inimigos e os guarda para si. . Senso de humor é o sentimento que faz você rir daquilo que o deixaria louco de raiva se acontecesse com você. . Mulher moderna calça as botas e bota as calças. . A televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana. . Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato. . Pão, quanto mais quente, mais fresco. . A promissória é uma questão "de...vida". O pagamento é de morte. . A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda. É isso.
Escrito por polettomarco às 12h47
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA Jales e seu tempo.
“Não vejo em mim a obrigação de advogar por esta cidade, pelo simples motivo de nunca me sentir, necessariamente, nativo de lugar nenhum! É aquela velha máxima de “cidadão do mundo”, mas, apesar de tudo, como jalesense que sou, não por título de cidadania (coisas de vereadores medíocres!), já que nasci aqui e, principalmente, pela estagnação em que se encontra nossa cidade, sinto-me agora ( e como!!!) na obrigação de fazê-lo! Apesar dos pesares.” Eu acho que a gente não tem idade e sim vidas, e muitas! Nestas minhas muitas vidas, tive a oportunidade de conhecer muita gente, apesar de ter passado uns bons anos fora desta terrinha. Gente que já se foi, gente que está por aqui, por aí. Gente que nasceu, viveu e morreu em Jales. Gente que veio nos visitar e nunca mais foi embora. Gente que por aqui veio para trabalhar nos mais diversos setores, gente que constituiu famílias. Enfim, gente... como a gente, que gosta de Jales! No encontro do dia 12 e 13 no Clube do Ipê, do Jales Forever, conversando com amigos atuais e outros de longas datas, nos lembramos de tantas coisas da famosa Jales: antiga e atual. Da antiga... saudade! Da atual...tristeza! Lembramo-nos também de pessoas que fizeram história ou anônimas, as quais, de alguma forma, foram lembradas nesse papo agradável e informal. O retorno de algumas pessoas é o amor pela cidade, nesse rebento de continuar o que alguém já tinha começado, é de quem tem orgulho de ser jalesense. Pensar em Jales hoje é não ter partido político. É não querer articular ou manipular; é ter por missão sensibilizar as pessoas e, principalmente, os mandatários em relação, por exemplo, às árvores e natureza que habitam nosso entorno, praças, parques, campos, avenidas, caminhos do dia a dia, melhores oportunidades de trabalho, planejamento e desenvolvimento que formam a qualidade de vida e estão ligadas à integração do indivíduo e com o lugar onde vive. Por tudo isso, necessitamos de pessoas determinadas e organizadas para coibir a destruição do nosso patrimônio histórico e não de pessoas sem o mínimo de consciência de tudo isso. Valorizando a cidade, estamos cooperando, acima de tudo, conosco mesmos e com nossa memória. Escolhi esse enfoque por um simples motivo: já há algum tempo ouço reclamações sobre o chão onde pisamos: buracos, desleixo com o bem público, incompetência, falta do que fazer, festas... algo diferente. Tudo que alguém que tem a oportunidade puder fazer por Jales será bem-vindo. É a famosa recíproca: ter amor por esta terra, querer bem, quem sempre nos acolheu. Coisa que o nosso mandatário mor ignora. São poucas as cidades pequenas que são como Jales: bem localizada, estrategicamente, entre três estados e, com uma malha rodoviária interessante. Espero não estar sendo mal interpretado. Claro que o jalesense ama sua terra. Definitivamente. Admiro seu interesse pelas suas raízes e seus costumes e outras peculiaridades encontradas somente aqui. Mas, agora que quero expor uma ideia que me "sufoca’ há anos e que tenho a oportunidade de dividi-la com vocês, não posso! Por tudo que esta cidade hoje está passando. Quando falo para alguém de onde sou, explico tudo isso: é uma cidade pequena, mas tem isso e aquilo. A simplicidade, associada a sua beleza natural, é o que faz de Jales um lugar especial. Mas, então, por que as reclamações com a falta de lazer, como citei acima? Simples. A resposta está na palavra rotina. Seja aqui, sombrio ou em qualquer outro lugar do mundo, a rotina gera stress, insatisfação com o seu cotidiano. São Paulo, a cidade com mais opções de lazer e trabalho é a campeã de stress. A qualidade de vida está nos pequenos centros, acreditem. Dar valor ao seu chão é valorizar suas raízes e sua própria existência. Mas, na próxima eleição, pensemos bem para quem vamos dar o voto. Quem aqui vive ou viveu, agradece. Até a próxima semana!!
Escrito por polettomarco às 12h07
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA A vida é a arte do reencontro! A história não costuma se restringir a limites de tempo/espaço muito rígidos. Assim, é difícil dizermos exatamente quando e onde começaram os ditos Anos Dourados. Talvez em 68, 69, 70, 71 ou em 1980. São inúmeros os momentos de nossas vidas que ficam registrados em nossa memória – o dia de ontem e hoje, neste salão do tradicional Clube do Ipê que testemunhou grande parte da história social de Jales- será um desses importantes momentos – inesquecível pelo que significa; emocionante pelo passado que lhe antecede; eterno pelo amor que nos envolve; feliz pela amizade e reencontro que sobrevive. Nesses muitos anos que nos separaram, vivenciamos diversos ciclos. Fizemos escolhas, tantas! Às vezes, as decisões eram difíceis e inseguras porque sabíamos que para cada sim, haveria um não excludente. Nem sempre acertamos, mesmo assim prosseguimos… e nos caminhos, fomos deparando-nos com verdades, ilusões, sonhos, crenças, dores, decepções, alegrias, prazeres, realizações… Talvez, a mais severa constatação tenha sido a de que envelhecemos; e, se não temos mais a juventude dos 20 anos, temos a experiência que traz a sabedoria aos mais de 40, e com ela a certeza de que tudo que já vivemos valeu a pena. Nossos melhores momentos de vida não foram necessariamente os mais fáceis – mas somos o que somos por tudo que vivemos. Fizemos – sim – o melhor que pudemos! A empolgação que antecedeu este nosso reencontro – que é também um reencontro de saudades, de lembranças, de emoções, o reencontro do primeiro conjunto musical de Jales – OS TREMENDOS- mostrou, nos sorrisos e nas vozes alegres, que vivemos juntos uma época boa, talvez uma das melhores de nosso tempo: tempo do amor livre, dos festivais, Beatles, repressão, etc. Tambem podemos dizer que foi a época em que os medos eram minimizados pela confiança e o futuro delineava promessas de conquistas. Éramos desbravadores de nossa própria história. Será que hoje nossa maior vontade não seria tentar resgatar o que tínhamos e o que éramos naquele tempo? Tudo bem! Afinal, ainda há muito a sonhar e tanto mais a realizar. Depende de nós acreditarmos e nunca deixarmos morrer a esperança e a fé! Hoje, por nossa escolha e vontade, estamos aqui. Se no passado foi possível marcar nossa presença de uma forma inesquecível e tão profunda ao ponto de nos unirmos após tanto tempo, que este presente envolva nosso coração e marque nosso futuro com promessas de outros reencontros. Um dia fomos colegas, podemos dizer que, hoje, somos amigos, aliás, somos “velhos” amigos. Não acreditem nas críticas ao ser humano, hoje, agora e sempre. Também não se afastem dos amigos, porque precisamos do ombro deles, e vice-versa. Precisamos do contato humano como do ar que respiramos, da água que bebemos, do sono que nos descansa. Busquemos sempre a palavra do amigo, pois nela pode estar contido o caminho que procuramos. O amigo quando é amigo mesmo representa nossa grande fortuna pessoal. O amigo é um sol que sempre ilumina nossa janela, espalhando raios de luz em nossas manhãs tristes. O amigo é nossa reserva estratégica de afeto, dividindo o peso de nossos ombros, estendendo as mãos em nossa direção. O amigo é a força procurada nas rochas, o silêncio necessário nas fases de transição e o sopro da natureza, inflando nossa vida vazia. O amigo pode ser o perfil de nosso rosto, ou a imagem da flor, simbolizando que existe como o tempo. Busquemos o amigo, de preferência, verdadeiro. O requisito básico para consegui-lo é apenas um: ser amigo também! E isso não é coisa tão simples. É uma dádiva que somente o tempo é capaz de nos conceder. E se a felicidade é feita de momentos, tenho certeza de que este nosso reencontro transformou-se num momento feliz! Vamos nos permitir celebrar, Amigos!!!
Escrito por polettomarco às 09h34
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA Código de Defesa do Eleitor Por muitos anos e bota ano nisso, políticos, mais políticos e muitos mais políticos de várias regiões nadaram de braçada chamando para si a paternidade da construção da ponte rodoferroviária sobre o rio Paraná. Alguns “morreram afogados”. Outros, infelizmente, não! Que pena. O canal de irrigação – alguém se lembra?- foi uma promessa que não saiu do papel. Mas, o carnaval político feito em cima dessa abstrata obra, “canalizou” muitos confetes, digo, votos para os políticos de nossa e outras regiões. Outra promessa que descarrilou foi à transposição dos trilhos da ferrovia da soja, que com suas maquinas “maravilhosas” cortam o coração de nossa cidade, infernizando madrugada adentro com seus vários decibéis e transformam nosso sono tranqüilo em verdadeiro pesadelo. Nosso querido historiador Genésio Seixas que o diga. Que saco? Lembro-me de placas, foguetórios e outras “cositas mas”. E você, querido leitor e eleitor não se lembra? Outro engodo, mas bota engodo nisso foi a promessa de construção de dois viadutos sobre os trilhos desta mesma ferrovia. Promessa feita em letras garrafais pelo mandatário mor; e não acabou, prometeu a construção de 1.000 casas populares, mas, pelo que se vê até agora, conseguiu entregar somente 24 ou 25. O mandatário mor prometeu, também, o fim do laudêmio em Jales. E por ai vai: promessas, promessas e muitas promessas! Na política, o ditado popular ''promessa é dívida'' nada vale, mas a promessa é utilizada como eterno instrumento para angariar os votos dos crédulos. Se as promessas políticas fossem juridicamente tratadas como dívidas, os tribunais estariam abarrotados de processos. Vamos exemplificar: -Quando não pagamos nossas dívidas bancárias ou comerciais, estamos sujeitos a ações e processos judiciais, penhoras de bens e inscrição de nosso nome em cadastros de inadimplentes. No caso de dívidas afetivas, como promessas de casamento, amor eterno, fidelidade conjugal, entre outras, estamos sujeitos a processos indenizatórios e de reparação moral. O Código do Consumidor existe para nos proteger das propagandas enganosas e dos produtos e serviços que não cumprem suas promessas. E aí vem, novamente, a pergunta que muitos querem calar:- por que os candidatos a cargos públicos podem prometer impunemente e, depois de eleitos, não respondem a processos individuais quando não cumprem suas promessas eleitorais? Antes das campanhas, as promessas de cada candidato deveriam ser registradas no TRE como documento oficial e distribuídas à imprensa e à população. Esse procedimento ajudaria a inibir a empolgação dos candidatos nas ruas e nos palanques, onde prometem coisas absurdas e impossíveis. Em campanha, os candidatos confiam naquela máxima de que ''palavras, o vento leva''. Se fosse criada uma lei para punir efetivamente o descumprimento das promessas eleitorais, registradas no TRE ou não, provavelmente, os planos de governo seriam mais consistentes e exeqüíveis, com embasamento técnico e elaborados a partir de estudos de viabilidade social, política, econômica e ambiental. A ''Lei das Promessas'', como poderia ser chamada, seria elaborada com base em planos de governo criados por representantes não políticos da sociedade, reunidos em comitês municipais e estaduais, que elegeriam prioridades para suas regiões, segundo as necessidades básicas, tais como saúde, habitação, saneamento, alimentação, educação, segurança e transporte. Assim, os candidatos seriam compelidos a fazer suas campanhas alinhadas com a vontade popular e não com interesses pessoais e políticos. O diferencial de cada candidato estaria na forma e no cronograma de atuação, nas fontes de recursos e nos métodos de execução, permitindo ao eleitor comparar propostas para os mesmos objetivos. Além disso, essa lei permitiria, no futuro, a tão sonhada continuidade administrativa, independentemente do partido que estiver governando. Com isso, o cumprimento das promessas dos candidatos eleitos poderia ser monitorado, analisado e cobrado judicialmente, quando fosse o caso. O maior empecilho à existência da ''Lei das Promessas'', ou mesmo de um Código de Defesa do Eleitor, seriam os próprios políticos prometedores, uma vez que são eles mesmos que legislam ou influenciam politicamente os legisladores e, certamente, não apoiariam uma lei contra a própria classe. Dessa forma, cabe à sociedade mobilizar-se para que uma lei dessa natureza seja possível, criticando, escrevendo para os meios de comunicação e, nas próximas eleições, não votando naqueles que não cumprem suas promessas.
Escrito por polettomarco às 13h08
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Saudades... Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da Língua Portuguesa e também na verdadeira música popular. "Saudade", só conhecida em galego-português, descreve a mistura de todos os nossos sentimentos. Eu, por exemplo, ando com saudade de café com pão; de namorados dando beijinhos no portão; De pedir bênção a pai e mãe (Deus te abençoe, meu filho!); do sinal-da-cruz que fazia quando passava na frente da igreja; De rezar ajoelhado ao lado da cama; De ver um varal cheio de roupas com cheiro apenas de sabão; de ver alguém sorrindo enquanto lava a louça com bucha vegetal; De sentir respeito pela polícia; de cantar o Hino Nacional com mão no peito e lágrimas nos olhos; de acreditar que o Brasil ganhou a Copa do Mundo porque jogou direito; De saber que a seleção era de todos nós ( hoje é só da CBF!); Das sessões de cinema nos domingos do Cine Jales; De saber que o Zezinho, filho do porteiro, não vai morrer de dengue; e que a Maria feirante poderá ter um filho médico; Saudade de pescar nas barrancas do rio São José com meu saudoso pai; Saudade de homens que usavam apenas o assobio como galanteio ( Fiu-fiu!); Morro de saudade do tempo em que presidente e governadores eram os mais respeitados cidadãos do país; Saudade da época em que meus mestres tinham um salário decente e de criança inocente; Que cadeia era lugar só de ladrão. Acho que andaram invertendo a situação; Ando com saudade de galinha de galinheiro; de macarrão feito em casa com tempero sem agrotóxico; de só poder tomar guaraná em dia de festa; De homens de gravatas; de novela com final feliz; de pipoca doce de pipoqueiro; Saudade dos palhaços Carequinha e Fred e dos circos-teatro que ficavam meses em nossa cidade; De dar bom-dia à vizinha; de ouvir alguém dizer obrigado ao motorista e ele frear devagarinho, preocupado com o passageiro; Saudade de gritar que a porta está aberta para os que chegam; Saudade do tempo em que educação não era confundida com autenticidade (hoje, se fala o que quer em nome de uma tal verdade e pedir perdão virou raridade); De jogar bola no pátio da escola, com medo da palmatória; De rodar pião, jogar bola de gude e descer ladeira abaixo no meu carrinho de rolimã; Trocar gibis nas matinês e jogar figurinhas na calçada; Das tardes de domingo no Clube do Ipê; de ver o Zé Antonio ouvindo Beatles no palco do salão de festas; Dos festivais estudantis do Prof. Ariovaldo, nosso querido Tatinha; Ando com muita saudade dos carnavais em que tocavam marchinhas; Com saudade de ver no céu pipas não atingidas pelo efeito estufa; Saudade das chuvas sem acidez, que não causavam aridez; Saudade de poder viajar sem medo de homem-bomba, de ser recebido com pompa em outra nação. Atualmente, reina a desconfiança no coração; Sinto muita saudade do rubor das faces de minha mãe quando se falava de sexo totalmente sem nexo. Hoje, ele é tão banal que até eu banalizei; Acho que a maior saudade que tenho é a saudade de tudo em que acreditei; Para meu filho não poderei deixar sequer a esperança. Hoje, já não se nasce criança; Saudade do Chiquito Show, nas manhãs de domingos no Cine Jales; Saudade das piscinas do Clube do Ipê. Das brincadeiras dançantes e de beber Ponche; Dos salgadinhos e das batidinhas do bar do Ximbica; Dos bailes dos Tremendos, do mela-mela e de cuba-libre; Saudade dos meus amigos que vou reencontrar nos dias 12 e 13 de novembro na festa do Jales Forever no nosso salão tradicional Clube do Ipê. Poxa! Que saudade... Autor? Qualquer um de nós
Escrito por polettomarco às 13h07
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