Blog do poletto
  

PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 

 

                          MÃE...

 

                                     Eu devo tanta coisa pra você querida... Eu sei que fizeste o possível e o impossível pra me dar tudo do bom e do melhor, principalmente seu carinho, amizade e amor! Não posso deixar de falar de como é bom ter uma mãe como você. Obrigado mãe a cada tempo dedicado a mim. Todo esse tempo foi essencial para que eu tivesse em quem me espelhar durante meu crescimento.

                                         Hoje é o seu dia, o dia das mães, oportuno momento para que façamos uma homenagem a quem tanto devemos amor, carinho e gratidão. Muito já se disse acerca da comemoração desta data que, na verdade deveria ser celebrada e lembrada todos os dias.

                                       Tudo bem que foi um dia criado pelo comércio com o simples objetivo de faturamento, com pouco ou nenhum conteúdo sentimental. Mas o que importa nessa época é que sempre somos tentados a elevar nosso pensamento a ela e tudo isso nos ajuda a refletir sobre a relação com nossa mãe. 

                                     A natureza em um de seus mais sábios momentos concede exclusivamente a mulher o poder divino de gerar uma vida, proporcionando um instante único e espetacular, que nunca as mais belas e destacadas palavras são capazes de traduzir. Qual mulher não se transforma em raro exemplar de beleza ao exibir sua gestação, carregando no ventre e no coração uma responsabilidade e um compromisso para toda a vida. Chega o instante em que se depara com uma nova etapa na vida, e quando várias mudanças em diversos sentidos começam a se fazer notar, é justamente nesse momento que a elas recorremos em busca de auxílio e acompanhamento. 

                                       No instante em que a mulher quase que sem perceber passa da condição de filha para a de mãe vive como se carimbasse um passaporte para a felicidade. É como subir um degrau na íngreme escada da vida e, como que por encanto, está às voltas com sonhos, metas e projetos ansiosamente traçados para aquele ser que vai chegar e que se procura alternativas para as agruras e dificuldades que o mundo vai pôr diante de seu herdeiro. Ainda assim, apesar de toda e qualquer dificuldade eventual, nada será capaz de esmorecer a força, a garra e a determinação de uma mãe, suportando até a dor do parto, uma dor abençoada e que por mais sofrida que venha a ser logo se dissipa ante a dádiva que está prestes a receber. 

                                     Alegrias e adversidades, choro e riso, susto e conforto são geralmente elementos que pontuam cada encontro da mulher com a divindade materna, sem escolher idade, condição social, raça, preceitos religiosos e até, quem sabe, épocas distintas. Não importa que a gestação esteja ocorrendo dentro de um palácio ou sobre uma palafita, pois mais forte será a luz que está por vir, e com ela carregando o seu mais intenso brilho. A maternidade reluz intensamente e da mesma forma, não privilegiando o seu destino, pois há de saber que onde quer que seja não há de faltar o possível e o impossível para o seu crescimento e bem-estar. 

                                   Não importa que a "criança" tenha um, dez, vinte ou quarenta anos. Para as mães seremos sempre eternas crianças. Mas mãe pode tudo e sempre e, por mais que tentemos nos convencer que fizemos tal escolha acertada, lá estará sempre ela atenta, seja para um "puxão de orelha” ou para um confortável afago. Por mais voltas que o mundo dê, por mais saborosas ou amargas tenham sido as lições que a vida nos apresenta, ou mesmo que faltem respostas ou uma estrada reta para enfrentar os nossos problemas, sempre haverá o colo aconchegante de nossas mães a nos esperar e a nos aquecer.  

                                   Quando o assunto é mãe, logo nos vem à mente um misto de alegria, ternura e felicidade pelo fato de podermos conviver com elas.

                                 Mãe é muito mais do que apenas três letras, além  de ser uma palavra que soa bem aos nossos ouvidos. É algo de valor maior que uma mina de ouro reluzente. Mãe é incomparável, tenra e absolutamente única. Portanto nesse momento dedicado às mães, esteja a sua perto ou longe, tendo a conhecido ou não, seja adotiva ou biológica e estando neste ou em outro plano, resta-nos a certeza de sempre havemos de ter em quaisquer circunstâncias alguém a olhar por nós. Mãe...

 



Escrito por polettomarco às 11h54
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 

Socorro Chico Mendes

                                                             O texto do novo Código Florestal Brasileiro, aprovado pelos deputados foi muito criticado pelos senadores. O projeto da Câmara encaminhado à sanção presidencial altera o ótimo texto elaborado pelos senadores. Relator da matéria no Senado, Luiz Henrique (PMDB-SC) iniciou as sucessivas declarações condenando a atitude dos parlamentares.

                                                 Agora cabe à presidenta Dilma, com calma, analisar e tomar sua decisão sobre o novo Código. Todos nós sabemos a responsabilidade que a presidenta Dilma tem em relação ao modelo de desenvolvimento sustentável que nós tanto pregamos e queremos para o país.

                                          Neste momento, uma boa pergunta a ser feita seria: “o que é e para que serve  ambientalistas?” Quem trabalha na área sabe que não existe uma definição canônica, apesar de várias correntes se considerarem o verdadeiro ambientalismo, o “puro sangue”, em detrimento das outras.

                                         Na verdade, uma análise mais ampla e imparcial revela que o fenômeno do ambientalismo se tornou cada vez mais complexo e multissetorial. Os estudos de alguns analistas mostram que o ambientalismo não pode mais ser considerado como um movimento social, até por falta de unidade conceitual e metodológica. É mais fecundo pensá-lo como um movimento histórico que vem produzindo mudanças nos diferentes setores da sociedade. Cada setor vem sendo desafiado pela evidência da crise ecológica, assim como pela riqueza da discussão ambiental, a reformular importantes conceitos e padrões de comportamento na sua esfera de atuação, visando construir relações mais sinérgicas e sustentáveis com o mundo natural. Seria possível falar, portanto, de ambientalismo empresarial, sindical, religioso etc. Note-se que estou falando em transformações reais de conceitos e comportamentos, não de maquiagens e blá-blá-blá...!

                                             Da maneira mais genérica possível, pode-se dizer que ambientalista é aquele que aceita, de forma consciente e sincera, a radicalidade do desafio ecológico. Uma aceitação que, obviamente, precisa se manifestar em ação. Ou seja, produzir, dentro da esfera de vida de cada um, transformações positivas no relacionamento entre os seres humanos e o meio ambiente. É perfeitamente racional, porém, que a consciência ecológica se conjugue com outros objetivos sociais, econômicos e políticos.             Alguns empresários, por exemplo, que desenvolveram uma forte consciência ecológica e estão fazendo um grande esforço para limparem as suas empresas, considerando todo o ciclo de vida dos produtos. Mas seria irracional imaginar que esses empresários deveriam abrir mão da sua vontade de lucrar, ou mesmo de utilizar as reformas ambientais como instrumento para aumentar os seus lucros.

                                          A princípio minha opinião é 100% contra qualquer tentativa de devastação ambiental, seja em nome do desenvolvimento ou não. Temos uma riqueza biológica que ninguém mais tem.Que deixa o resto do mundo morrendo de inveja.  O que falta são investimentos em pesquisas para que descubramos o potencial de energia limpa que está a nossa disposição sem precisar desmatar nada, sem precisar furar nada, sem precisar mexer    com  a       vida  de     ninguém.
                          O povo brasileiro bem que poderia, e pode observar com mais atenção à falta de incentivo aos que habitam a floresta.
                                               Não sou contra o desenvolvimento. Sou contra formas irracionais criadas para explorar os recursos da floresta. Se o povo brasileiro tivesse consciência e preocupação com a Amazônia hoje teríamos o melhor centro de estudo de biodiversidade do mundo. Ainda não temos a cultura da floresta. Não estamos educando o caboclo do futuro para que ele vá.

               Já não basta a destruição da floresta para plantar bois? Por quanto tempo viveremos sob idéias megalomaníacas em nome do “desenvolvimento”, quando sabemos que por trás disso tudo existem interesses particulares? Porque não melhorar as condições de trabalho do homem da floresta, que vive dela e tira o sustento dos filhos? A floresta vale mais, muito mais. Ela é pura vida alimentando outras vidas. Vamos ao empate!!! A floresta pede socorro.

PS. Repito que estou falando de mudanças reais, não de maquiagem verde.



Escrito por polettomarco às 12h16
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 

 

OS POLÍTICOS E A LEI DE GERSON

 

                                        O povo brasileiro tem umas coisas engraçadas. Ele clama que anseia por mudanças no jeito de fazer política, mas é incapaz de perceber quando os políticos se valem das mesmas velhas táticas, em épocas eleitorais, para confundi-lo ou enganá-lo.

                                          É engraçado como gritam, batem os pés e protestam dizendo que querem uma “nova ética” e uma maneira limpa e honesta de agir do homem público; mas sucumbem as mais antigas formas de desonestidade e enganação.

                                        Essa escalada de corrupção parece indicar a disseminação social de um comportamento sem ética que está afetando o relacionamento até entre as pessoas, condicionando-as a, também elas, quererem "tirar uma casquinha" de alguma oportunidade levando vantagem também. Isso tudo tem ocorrido porque a sociedade atual incentiva às pessoas a uma busca frenética de "ter" cada vez mais, em detrimento do "ser", com valores de vida distorcidos, valorizando somente o "ter cada vez mais vantagens" sobre os outros (bens financeiros, em especial, bens materiais, etc.) não importando se para isso, elas precisem agir de modo desonesto, utilizando meios escusos e pouco éticos ou lícitos. Em outras palavras, parece ser a disseminação de que "ser desonesto, conseguindo vantagens, é ter mais valor, é ser mais esperto do que os outros".

                                  Assim, com esses valores de vida distorcidos, as pessoas começam a olhar para as outras como se elas fossem "lobos que podem devorá-las", na frase do dramaturgo Plauto em 184 ac, "Homo homini lupus", utilizada pelos filósofos ingleses Bacon e Hobbes indicando que "o pior inimigo do homem é o homem".

                                 Esse estado de coisas leva a refletir se a sociedade humana ainda tem condições de ter seres humanos mais equilibrados e saudáveis e que ajam com caráter, honradez e eqüidade, sem terem a necessidade de "passarem por cima" de Leis, da ética, para levarem vantagem. Uma sociedade onde ser honesto, ter caráter e agir com responsabilidade seja a regra geral para as pessoas e não a exceção.

                               As novas gerações são sempre uma esperança de um mundo melhor, no futuro, já que elas assumirão os postos de comando deste planeta Terra. Mas, para que as novas gerações possam evoluir de modo mais sadio e com características saudáveis de seres humanos, a sociedade de hoje precisa repensar os tipos de mensagens e exemplos que está dando às crianças e jovens, formando as suas personalidades.

                      Costuma-se dizer que o Brasil é um país subdesenvolvido, mas a realidade tem mostrado que o problema do país e de tantos outros considerados de "terceiro mundo", é uma submentalidade, é a acomodação das pessoas. Na realidade, o que falta ao Brasil (e aos outros países) são pessoas capazes e que tenham a decisão de fazerem bem a sua parte, que assumam a sua parte com responsabilidade pelas mudanças para uma sociedade mais saudável e equilibrada, e isso inclui erradicar a corrupção.

                                  É preciso que cada um, independentemente da atividade que realiza ou da posição que exerce, seja um Agente de Mudanças, em seu âmbito de ação. Se cada brasileiro  fizer a sua parte, o melhor possível, certamente o país poderá chegar a ter uma sociedade mais equilibrada e políticos éticos, obtendo melhores resultados,seguindo regras de convivência mais sadias e não mais seguindo a "Lei de Gerson, levando vantagem". É preciso que cada um faça bem a sua parte, e isto inclui você, leitor e eleitor!

                                Ajude a parar com as ações daqueles seres humanos que acham que podem "levar vantagem", não votando mais em políticos corruptos, não pagando propina qualquer que seja o valor, não agindo sem ética. Corrupção, nunca mais! Certo?! Certíssimo! 

 

 

 



Escrito por polettomarco às 10h59
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 PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 

 

Festa de peão...

 

“Rodeios são absolutamente desnecessários e alegram somente pessoas de poucas exigências para se divertir. E a tradição? O rodeio é uma tradição dos Estados Unidos. E a tradição dos canibais? Precisamos copiar o que é ruim?”

(Rita Lee)

 

                               Todos os meses muitas cidades deste Brasil entram naquela fase do ópio coletivo, ou seja, todo mundo, digo, quase todo mundo anestesiados com as chamadas festas de peão disfarçadas de Feiras Agropecuárias. Bem, mas elas duram no máximo uma semana e como eu não entendo nada dessas coisas poderia começar este artigo com a seguinte frase: O Ministério da Saúde e Cultura Adverte – Festa de Peão e Musica Sertaneja Fazem Mal a Saúde e a Cultura.

                  Rodeio faz mal a saúde? Sim e os rodeios são festas que atraem milhares de pessoas - será que os animais também gostam dessas festas? Ainda mais quando é usado o sedém? (espécie de corda amarrada na parte traseira dos animais de forma a comprimir os órgãos genitais).                                

               O sedém causa uma dor intensa que provoca os desesperados corcovos - e o público aplaude! E as éguas pulam tão "engraçadas" porque algum "tradicionalista" colocou cacos de vidro na vagina dela. Nenhum animal volta do rodeio sem traumas!

                                Apesar da origem norte-americana, até mesmo por lá esta prática não tem sido considerada cultural, havendo, inclusive, várias cidades  já proíbem essas práticas em seu território, entre elas Fort Wayne (Indiana) e Pasadena (Califórnia). Aqui no Brasil, diferentemente do que dito por muitos, a prática do rodeio nada tem de cultural, tratando-se de uma cópia do modelo norte-americano.

                               Os animais utilizados nas práticas de rodeios sofrem flagrantes maus-tratos, podendo-se rebater facilmente qualquer argumentação contrária, tendo-se em vista que existem diversos laudos oficiais atestando o sofrimento e maus-tratos aos animais utilizados em variadas práticas, destacando-se os laudos emitidos pela Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da USP e do Instituto de Criminalística do Rio de Janeiro.

                             Temos ainda as argumentações dos organizadores de rodeios:- Sedém não causa dor, apenas cócegas. Como eu adoro ser enganado. O sedém, ao comprimir a região dos vazios do animal, provoca dor, porque nessa região existem órgãos como parte dos intestinos, bem como a região do prepúcio, onde se aloja o pênis do animal. Portanto, o ato do animal corcovear é a comprovação de sua dor e estresse, fazendo com que instintivamente tente se livrar de todos os apetrechos que lhes colocam;

- O animal trabalha apenas por 8 segundos: 8 segundos é o tempo que o peão deve permanecer no dorso do animal, porém deve-se lembrar que o sedém é colocado e comprimido tempos antes do animal ser colocado na arena (ainda no brete) e também tempos depois da montaria. Além disso, há declarações de peões de que treinam de 6 a 8 horas diárias, portanto, todo este tempo o animal estará sendo maltratado.

                                    O rodeio é o resultado desse quase abandono de políticas públicas. Todos nós sabemos que no interior corre a riqueza, a miséria, falta de lazer, cultura, os principais dramas humanos. O Brasil ainda está amadurecendo no o seu processo de industrialização e o que temos é uma mistura próximo do surrealismo, onde não faltam injustiças, trabalho escravo e uma cultura próxima da barbárie.

                                              Não pretendo enveredar pela análise acadêmica, no entanto a questão dos rodeios colocada como aí está merece um estudo mais aprofundado.

 A origem dessas festas deve-se a invenção de uma atividade para congregar os peões. Se alguém contestar isso vai ser uma festa, mas contra a historia pouco se pode fazer, a não ser analisá-la. Citei isso só para relacionar o rodeio a um circo romano, dos "bons tempos" de Herodes, é claro.

No rodeio os animais sempre serão maltratados, como maltratados estarão, também, os ouvidos de muitas pessoas com os culturais shows dessas feiras. Pobre cultura essa nossa!

Amém.

 



Escrito por polettomarco às 11h56
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 PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 

 

 

FAROL VERMELHO

                                                 Neste dia festivo aguardando alguma coisa de novo acontecer na Vila Jales, temos a nítida impressão que o nosso mandatário mor continua tendo surtos e mais surtos de “sinhozinho Malta”, pois a cada dia que passa tem sempre mais uma atitude no mínimo inusitada e intempestiva: nossos idosos, atores, comerciantes, esportistas, pseudo-ecologistas de plantão e resto da população, que o digam.

                                                Vejam esse surto postado no blog do Cardosinho nesta semana: “Na mesma entrevista que deu ao repórter-vereador Osmar Rezende, onde afirmou que a UPA está sendo construída em “área nobre e de fácil acesso”, o prefeito Parini falou, também, sobre o projeto Município Verde Azul. E, segundo o nosso premiado estadista, “Jales não está entre as 20 primeiras, mas ficou próxima; nós estamos entre as 50″.

Ora, conforme amplamente noticiado, Jales despencou do 20º lugar em 2010, para a 92ª posição, em 2011. Desde quando 92 é menor que 50? Não posso acreditar que o prefeito não soubesse a classificação de Jales. Creio mesmo que, ao dizer uma sandice dessas, ele está apenas apostando na desinformação. (do blog)

                                              Definitivamente eu acho que, para explicar alguns posicionamentos diante de certas situações, só mesmo relativizando valores éticos e morais, caso contrário, fica difícil ou mesmo impossível argumentar acerca desses temas.

                                                  A política partidária é um dos terrenos mais férteis para se observar a depreciação desses valores e também o recrudescimento de alguns deles, principalmente numa cidade com uma Câmara Fria e seu intempestivo presidente somando-se a tudo isso um Executivo desastroso. É difícil escrever sobre política em nível municipal, mas, com esta pasmaceira toda na política de Jales, vamos ter munição até o final do ano.

                                         Alguns vereadores da Vila Jales ameaçam, berram, gritam, esperneiam, ameaçam, novamente, quebrar a monotonia por meio de CPI(s) para investigar esse negócio todo que aí está e mais algumas coisas e bota “coisas” nisso. Ao final, a bomba não passa de um traquinho inofensivo. Mas, todo santo mês pinga, jorra e o cara(*) a quatro  na continha dos “nobres” edis, com o novo aumento, a quantia R$3.348,22 só de salário, fora  o resto das mordomias.(Eta... emprego bom !)

                                  “Parece-me que a maioria dos políticos de Jales vive reclusos, alheios aos acontecimentos da cidade. Eu quero ver o debate de idéias executivo/legislativo, projetos visionários, ousados, que vão de fato interferir positivamente na vida do cidadão e não, por exemplo agora que ficamos na 92ª posição na ranking  dos município verde/ azul . Neste momento eu não vejo nenhuma projeção de cenário futuro para Jales.Sei lá... Esse niilismo! Não quero falar de política de brigas, de suposta corrupção, que a mídia toda semana nos informa. Já falei tanto desses temas... .  Por que será que ultimamente, tudo me parece muito                  parecido?                                                                                                                                 Escrever tem que ser sempre a mesmice de falar desta casta emergente que parece nos levar a um novo obscurantismo, em que alguns políticos desonram a   própria        classe?

                                                         Não quero chegar mais perto e contemplar as palavras de Drummond, cada uma com suas mil faces secretas, sob a face neutra, nem quero responder a sua pergunta desinteressada na minha resposta: somos todos trouxas assim?                                                                                  

                                     Pobre Vila Jales!  Esta cidade de tradição de grandes políticos, em seu aniversário de 71 anos vive seu inferno astral, com denuncias e mais denuncia de escândalos políticos, um governo desastroso, lerdo e autoritário e, o que é pior, nos parecendo não se importar com tudo isso.

                                      A falta de transparência no trato do bem público, especialmente durante a realização de grandes negócios e outras intempestividades, sem nenhuma consulta popular, é terrível e uma falta de respeito com a população. “Nossa cidade está perplexa com tudo isso e no seu grande dia chora calada sua estagnação”.



Escrito por polettomarco às 12h29
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 PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 

 

Complexidade corrosiva


                                                     O emaranhado político no Brasil nas últimas duas décadas é de uma complexidade corrosiva. A História não deveria cansar a memória e sim, iluminar a razão.
                                          Infelizmente, a memória brasileira está fatigada de um episódio coerentemente repetitivo: a corrupção. Oh! Poderes constituídos!!! Em tempos de banalização da política, alguns castelos de areia são construídos pela mídia golpista em torno da ingênua fantasia de que existem partidos honestos.
                                               De uma vez por todas, devemos entender que os políticos são tão corruptos quanto às instituições lhes permitem ser. Se não avançarmos com a reforma política, seguiremos à mercê de julgamentos meramente pessoais sobre a integridade dos candidatos.

                                           Pouco antes de sua morte, Hobbes escreveu que o grande intuito dos poderosos era enfatizar em quem as pessoas deveriam acreditar.
                                             O cenário atual politiqueiro, no qual políticos de todas as espécies ressaltam a própria integridade e denigrem a idoneidade do adversário, corrobora essa visão. Encabeçada pelos próprios políticos, a mitificação ideológica é reforçada por proeminentes articulistas da mídia brasileira.
                                         Não pretendo questionar o indispensável papel da imprensa investigativa. No entanto, essas caças ao inimaginável, sem provas e sem razão - verdadeiras cruzadas marcadas por cega parcialidade e aversões pessoais contra determinados partidos - são de pouca utilidade. Cito como exemplo o PIG – Partido da Imprensa Golpista.
                                            A política não é coisa de santos.
                                         Acreditar na existência de maniqueísmos como o do partido honesto contra o partido corrupto é querer acreditar em Papai Noel.
                                                 Mas a história está aí para nos contar:- quando esse jogo do poder despótico não dá certo, a civilização sofre grandes avanços. Um desses momentos divisores, citado por Castro Alves, de que a política precisa de políticos de verdade e que a mesa do pobre precisa de pão, de que os oprimidos precisam de ar, de luz, de razão...é a essência da própria razão.
                                                Para as classes dominantes, tudo! Impunidade total, escândalo geral, mídia insensata (vide os Poderes Constituidos), mesa farta, ausência de filas, negócios escusos com os três poderes. Uma vida de sombra e água fresca!
                                                Há gente que vive a infâmia de viver. Os pobres enxergam a vida pública como a única porta de saída para ascensão social, mas falta-lhes consciência política para mudar tudo pelo voto. Falta-lhes, também, uma voz para representá-los contra o poder, quando ele é insensato.
Efemérides
Com o apoio de grande parte da população brasileira, o "caçador de marajás" anunciou o combate à corrupção. O final da história todo mundo conhece.

 A nefasta Máfia das Sanguessugas envolveu dez partidos políticos dos mais distintos espectros ideológicos. Há mensalões tucanos e mensalões petistas - não intencionando, contudo, justificar os graves escândalos em nível municipal ( vide o exemplo de Jales), estadual e federal revelado neste Brasil brasileiro.
Os indivíduos são bastante similares e, parafraseando Montesquieu, eles não são confiáveis no poder (quem não se lembra dos suínos (*) em A Revolução dos Bichos?). Dessa convicção, o filósofo concebeu a famigerada Teoria da Tripartição dos Poderes.
                                       Para combater práticas ilegais, deveríamos confiar mais em instituições políticas que reduzam o livre arbítrio e menos em percepções subjetivas.
                                 O emaranhado político no Brasil é de uma complexidade sem precedentes.
                                     Políticos trocam de partido como trocam de roupa. Diariamente, traçam-se as mais absurdas coligações.
                                    Na falta de disciplina partidária, parlamentares votam contra a própria legenda. E cabe ao eleitor a utópica tarefa de controlar os representantes. Precisamos acabar com a personalização do sistema político brasileiro, fortalecendo a fidelidade e a disciplina partidárias e reduzindo o número de partidos. Senão...??
(*) A Revolução dos Bichos (George Orwell)

O sonho de um velho porco de criar uma granja governada por animais, sem a exploração dos homens, concretiza-se com uma revolução. Como acontece com as revoluções, a dos bichos também está fadada à tirania, com a ascensão de uma nova casta ao poder. Nessa fábula feita sob medida para a Revolução Russa, todos os animais são iguais, mas uns são mais iguais do que os outros.

 



Escrito por polettomarco às 16h21
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 

Erros históricos.

                                       “A preservação do patrimônio  é a preservação da identidade de uma cidade. Reconhecimento e proteção de bens coletivamente representativos são atitudes de estadistas.”

                                        A paisagem desta cidade, que um dia já foi Centro de Região, está diferente já algum tempo. A seringueira não existe mais e tambem, para nossa desgraça, as àrvores da Avenida Francisco Jales que “viveram” grande parte de nossa história. Extintas tambem foram as calçadas desta mesma avenida que nos davam uma vaga lembrança de Copacabana, nossa princesinha do mar. Estamos perdendo os simbolos da cidade.

                                        Certa vez me apresentaram um livro, de uma     lista  de        alguns... Dentre muitos outros esse livro: ‘’A insustentável leveza do ser, são personagens que mudam de opiniões, buscam novos cenários e motivações, mas não percebem o caráter repetitivo dos erros, dos prazeres e desprazeres que vão e voltam. Cada qual com suas virtudes e vícios, percebem-se em suas insustentáveis levezas”. A insustentável leveza do ser é justamente o caráter fortuito, casual do ser diante da vida inaudita; nada se finca ou se fixa diante do inefável.

                                      Minha escolha motivou-se pela curiosidade:- O    que   seria        insustentável? Segundo dicionário Aurélio: ’’ Que não se pode sustentar, sem fundamento, insubsistente’’.
                                        Isso me levou ao mais profundo desejo de repensar os muitos erros da atual administração que aí está!  Os amantes da história e cultura local estão vivendo um verdadeiro pesadelo: os bens históricos de “nossa cidade” estão sendo exterminados. Mas, alguns erros históricos não são de agora, vem de muitas administrações passadas. Lembram-se da Igrejinha com o seu coreto que foi derrubada para construção do Fórum; o cruzeiro de sua fundação que virou ponte no Córrego do Ribeirão Lagoa; a casa da família Jalles na rua sete e por ai vai...! Porque os valores históricos de nossa cidade estão sendo desprezados? Não sou profeta, nem religioso, nem cientista ou fanático, para prever o fim dessa desastrada administração. Mas, estudando datas de profecias antigas ou até mesmo da bíblia, chegamos  a um ano em comum, 2012. Não pela data em si, mas pelos sinais que estão chegando.

                                       Nostradamus, profecia Maia, e outros profetas, acreditavam que esta data é um período chave para o final do governo atual de Jales. Acredito que os governantes já sabem de algum fato que justifique a data, mas escondem o segredo.

                                      Jales possui muitos bens culturais. Entre eles podemos destacar imóveis residenciais, comerciais, hotéis, fazendas, Igrejas e muitos outros. Sabemos que a palavra patrimônio é originada de pai, pois é este que nos dá a identidade, por isso temos o dever de preservar tudo que está ligado à nossa cultura. É nosso dever como cidadãos fazer com que estas pessoas se conscientizem que para fazer a diferença temos que agir com sabedoria, pois o futuro está em nossas mãos.. É nosso dever ajudar a preservar todo bem cultural ignorado pelo poder publico seja        ele    material    ou     imaterial.
                                            Seja consciente! Ajude nossa cidade, nosso povo a ter sua história mantida viva para ser passada de geração em geração. Vamos nessa juntos. 

 

 

 

 



Escrito por polettomarco às 10h48
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 

 

Política de Estadistas

“Uma das grandes ilhas de cultura deste país, Millôr Fernandes, cita uma segunda invenção, depois da duplicata mercantil, à espera de reconhecimento universal, que é o vereador pago. O vereador pago é como a jabuticaba, uma fruta genuinamente nacional.”

                                       Quando leio neste Jornal as intempestividades do “presidente” da Câmara Municipal da Vila Jales, fico perplexo e não consigo acreditar no que leio. Aí a memória busca os primeiros anos de Jales, como se estivesse procurando compensação para tão deprimente estado de holocausto político que atingiu nossa Casa Legislativa.

Pensar que Jales teve políticos como Euphly Jalles, Edson Freitas, Roberto Rollemberg,  Osvaldo Carvalho,  Pedro Nogueira, entre outros, e ver agora essa hecatombe quase geral, é de amargar.

Quem pesquisou a historia da Câmara Municipal de Jales, sabe que assistir uma seção camararia na década de 50/60 era o maior espetáculo da Terra. Ninguém estava ali por salários, ou enviados por igrejas evangélicas, católicas, empreiteiros, grupos organizados ou corporações. Os vereadores se elegiam pelo critério de seletividade, entre pessoas mais qualificadas na cidade.

Vamos voltar no tempo para você, querido leitor, ter uma idéia do nível da Câmara Municipal de Jales no passado. Vejamos alguns exemplos de vereadores: João do Carmo Lisboa, ex-prefeito de General Salgado; Dr. Arnaldo Silveira, médico emérito de Jales; Roberto Rollemberg, advogado em Jales; Eduardo Ferraz Ribeiro do Valle, médico e animador cultural; Vicente de Paula Prado Gonçalves, advogado, contabilista e grande orador; Ailton de Carvalho, criador do departamento de Assistência Fiscal e um dos maiores tribunos (segundo meu saudoso pai Orlando Poletto) da historia de Jales, Leopoldo Gonçalves (o popular biriba), cartorário e depois prefeito por duas vezes de Aparecida D’Oeste; Elvo Pigari, eleito pelo distrito de Urânia, do qual foi prefeito posteriormente.

Na referida eleição, alguns vereadores eleitos por distritos tornaram-se, posteriormente grandes lideranças em suas comunidades.

O grande drama de Jales, segundo venho observando nos últimos tempos, é a omissão de pessoas amplamente qualificadas no processo eleitoral. Numa cidade com uma significativa classe médica, temos quantos médicos no legislativo?

Está certo que o curso de medicina está caro, mas viver só pensando em ganhar dinheiro (exceções à parte). É dar as costas à comunidade é o que se pode chamar de falta de amor à cidade.

Temos bons e excelentes advogados em Jales. Porque não entrar na vida pública, por amor a Jales? E assim acontece com Dentistas, Professores, Empresários e outros segmentos expressivos da comunidade.

É a velha teoria da sociologia política: “na vida pública não existe vácuo” . Espaço não ocupado pelo bem é ocupado por outra coisa.

A política de perna de pau, no legislativo, acontece porque os craques se recusam a entrar em campo. Onde estão os Professores Universitários de Jales, muitos com mestrado e doutorado e que não se candidatam?

Enquanto as pessoas mais preparadas continuarem se omitindo do processo político, continuaremos no escuro geral nessa Câmara Fria.

Pensar que já tivemos líderes que viraram Governador de Mato Grosso, Secretário de Estado do Governo de São Paulo ou Deputado Federal e Estadual. E hoje...

Vamos juntos nessa resgatar o tempo perdido.

 

 



Escrito por polettomarco às 11h36
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA 

 

TRANSPARÊNCIA

                                        A Lei da Ficha Limpa, cuja constitucionalidade foi recentemente confirmada pelo Supremo Tribunal Federal - e que valerá para as eleições de 2012 -, é um belo exemplo de como a força conjunta da sociedade e da opinião pública pode ajudar na depuração de um sistema político que vem sendo corroído pela corrupção e pela impunidade. O povo encontrou, finalmente, uma saída para impedir o acesso de oportunistas à vida pública brasileira. No entanto, esta é uma conquista parcial. É preciso que o cidadão, que todos nós, sem distinções, façamos, de uma vez por todas, o "dever de casa", acompanhando de perto as ações dos nossos escolhidos.

                                        Bom, queridos leitores, será que esta história de se reclamar dos políticos vai ser do tempo de meu avô. E isto tende a melhorar com a Lei Ficha Limpa? O cinismo seja pelos mais criativos métodos possíveis de roubalheiras e falcatruas, também?  Mas não vou encher ninguém descrevendo coisas óbvias que todos estão cansados de ver na TV, rádio e jornais. O que tenho a dizer é que agora não corremos mais o perigo de "parar no buraco de vez", aquela velha teoria de que só chegando ao fundo do poço para as coisas melhorarem.

Outra coisa interessante é ter em mãos uma pesquisa feita pelo Ibope que tinha como objetivo verificar até que ponto as pessoas são coniventes com a corrupção e se elas praticariam as mesmas ilicitudes se estivessem no lugar dos políticos. Realmente a pesquisa é um "tapa na cara" de qualquer um, seja pelo fato de revelar o quão tolerante e corrupta é grande parte da população (75% dos entrevistados), além de nos fazer perceber que em nossa vida outras pequenas ilicitudes que realizamos todos os dias não deixam de ser tão diferentes das dos políticos, talvez diferindo apenas na quantidade de dinheiro, vantagens ou poder envolvido.

Esta maioria de 75% revelou na pesquisa que faria a mesma coisa se estivesse no poder, ou seja, o importante era se dar bem em detrimento "do outro". Ora, mas então as nossas representações lá em Brasília não são simples reflexos de nossa população? A corrupção é um ser "vivo" e presente em nossa população ou é um desvio provocado pelo caráter? Bom, se olharmos bem talvez vamos chegar  a esta conclusão. É o que a pesquisa revela.

E o que nos resta então, sentar e chorar? Bom, ainda bem que existem pessoas que não pensam assim e desejam dar sua contribuição. Desta forma, é através deste texto que peço encarecidamente que ao votar PENSEM em quem votar, pesquisem e fiquem de olho em seu candidato.

Mas daí você me perguntaria: "Ah! Mas é muito difícil ir atrás destas informações, não tenho tempo!”

Mas a mágica Internet pode-nos ajudar neste quesito agora. Um exemplo é o "Projeto Excelências", da transparência Brasil, que traz em seu site http: //perfil.transparencia.org.br/ a "ficha corrida" de todos os políticos de vários estados do Brasil. Um ótimo começo para a escolha de seu candidato.

Muitos analistas temem pela renovação do quadro político. Acreditam que uma grande renovação política poderia trazer junto inúmeras pessoas ligadas ao crime ou a organizações criminosas, o que seria um desastre ainda maior. Mas, será que eles já não estão infiltrados na política?

Bom, aproveito para concluir falando um pouco sobre o voto nulo, que tem trazido muita dúvida a boa parte dos eleitores. Os votos nulos e brancos são retirados da contagem final, ou seja, se todos os eleitores do país votarem nulo e apenas um eleitor votar em um candidato, este estará eleito! Porém é claro que isto é uma exemplificação e mesmo se algo do tipo ocorresse, ou mesmo um grande percentual anulasse seu voto, seria uma situação que geraria grande debate nacional, questionamentos e contestações jurídicas, em resumo não seria tão tranqüila assim a situação.

Apesar de muitos terem verdadeira ojeriza pelo voto nulo, este é também uma opção, uma escolha perfeitamente válida e democrática. O voto nulo representa a idéia de que nenhum dos atuais candidatos possui as características que você procura em seu representante (e como já somos obrigados a votar não é possível que tenhamos de ser obrigados também a votar em alguém que não desejamos) e é perfeitamente possível votar desta maneira, bastando apertar na urna eletrônica um número de candidato que não existe. Geralmente uma seqüência de noves é o suficiente.

Informe-se, discuta e vote... Consciente!



Escrito por polettomarco às 15h18
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA   

JORNALISMO “SEGURA PEÃO”

 

 

            Engana-se totalmente quem imagina que jornalismo no interior é só festa e colunismo social. Muitos acham que o repórter do interior não faz outra coisa senão cobrir festa de rodeio, churrasco do prefeito, visitas de políticos e inauguração de obras municipais.

             Os pequenos jornais semanários há muito tempo estão se estruturando em modos profissionais e empresariais. Os antigos jornais de família, fundados por um advogado, um professor, um militar aposentado etc., vão cedendo espaço a organizações empresariais que já optam até mesmo pela terceirização, além de assinarem serviços noticiosos e de receberem colunas diárias pela Internet.

            Quem tem uma idéia na cabeça e um computador na mão não precisa, necessariamente, fazer um “jornal de roça”. Se fizer, não terá leitores.  Se tiver, perderá em pouco tempo. Se o leitor está se atualizando, movido pelos processos inerentes à globalização, não resta outra saída às empresas  de comunicação senão seguir a toada. A maioria já compreende o conceito de “globalização local”, isto é, de realizar na comunidade a integração que já se verifica entre em países. Trata-se, pois, de valorizar os fatos locais, a história local, as pessoas do lugar, sem perder de vista o que passa pelo mundo globalizado.

            Os jornais de comunidade tendem a crescer de importância, pois é para ele e para os demais veículos sérios do lugar, que a comunidade se volta como náufraga do mar global de notícias em busca de referência, de ponto de apoio, de reconhecimento da própria identidade. No jornal da cidade o receptor sabe que seu nome não vai sair errado e só ali ele ficará sabendo que o trânsito da rua da sua casa vai mudar de mão. Isto não seria possível no grande jornal globalizado que chega pelo correio às 10h.

            O jornal do interior como “leitura local” será sempre insubstituível como marco referencial da comunidade, cabendo aos jornais regionais ou mesmo aos jornais dos grandes centros, o papel secundário de “segunda leitura”, exatamente por causa da absoluta necessidade de identificação entre emissor e receptor, característica acentuada do jornal de comunidade. À medida que se colocar a serviço da comunidade para lutar pelas causas coletivas, à medida que tiver a comunidade como sua única referência e preocupação, o jornal do interior conquistará prestígio e respeito, cabendo-lhe, depois, zelar por esse patrimônio com a responsabilidade e o equilíbrio de seu noticiário. Ao profissional desse tipo de jornal caberá  reconhecer  a importância social que a comunidade lhe atribui, mas, ao mesmo tempo, exercer seu trabalho com ética e humildade, sem jamais se deixar levar pela tentação de tirar proveito pessoal do seu status. Os que agem com seriedade ficam na memória histórica da cidade, os que traem a confiança da comunidade são execrados e esquecidos para sempre.

            A carreira de muitos jornalistas de renome começou no pequeno jornal do interior e isto prova que em qualquer lugar há espaço para a ética, a seriedade, a competência, o texto bem apurado, a interpretação adequada do fato.

             Grande número de pequenos jornais do interior também já possuem sites na Internet, com atualização permanente. Os repórteres já trabalham com câmaras digitais gravando as fotos  e descarregando a imagem direta no computador. Os repórteres, entre uma cobertura e outra, são acionados pelo celular. Na verdade são jornais que procuram “substituir” a segunda-leitura, isto é, tentam evitar que o assinante seja obrigado a assinar o jornal do grande centro, bem mais caro, para ficar bem informado, daí a publicação de páginas com assuntos nacionais.

Acho que em qualquer  lugar do mundo “o único compromisso de jornais e jornalistas é com a informação. Seu empenho nesta tarefa faz de um jornal qualquer, um jornal livre, logo um grande jornal. Uma nação de grandes jornais é uma grande nação. Sem este valor intrínseco, sem este quilate que advém de um entendimento superior das suas funções, um jornal, por melhor que seja organizado e construído, será apenas um catálogo de notícias”.

Paulo Reis Aruca, sempre esteve ligado com tudo isso.Sempre...

 



Escrito por polettomarco às 13h36
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA   

RETRATO DO ASSESSOR.

 

 

Em qualquer atividade humana, encontramos alguém que executa, e todos sabem quem é. Ao mesmo tempo, temos alguém que prepara o ato da execução, e ninguém sabe quem é.

Qualquer pessoa sabe quem foi Napoleão. Mesmo os mais esclarecidos, inclusive nas escolas militares, não sabem quem foram seus assessores militares, estrategistas das grandes vitórias do maior guerreiro francês de todos os tempos.

Os apreciadores de cinema conhecem, e muito, Charles Chaplin, o maior gênio da história cinematográfica. Alguém se lembra de algum assessor de Carlitos?

Grandes empresários, como Antonio Ermírio de Moraes, têm dezenas de assessores. Você seria capaz de citar o nome de um, apenas um, assessor do Tonhão da Votorantin?

Qual foi o principal assessor de Juscelino? E os assessores dos grandes cientistas universais? E quem foram aqueles que pensaram e criaram com os gênios? Ou será que a genialidade é sempre solidária?

A função do assessor, acredito, é pouca estudada, e não resolvida. Existe o dia do médico, do professor, do carteiro, ao ator, do isto e do aquilo, e o dia do assessor?

Pensando homenagear os verdadeiros assessores, estejam onde estiverem principalmente os ocultos no anonimato forçado, esboçamos o seu retrato:

 O assessor é alguém que todos pensam que nada faz, porque realmente não faz em público;

 O assessor é a sombra iluminada. Não pode subir no palco, mas deve manter as cortinas em operação; 

 O assessor é a primeira desculpa e o principal suspeito;

 O assessor é o estrategista das causas e o enigma dos efeitos;

 O bom humor do assessor legitima o direito do chefe exercer o espírito crítico;

 O assessor é referenciado como armadilha, quando na verdade é uma presa em luta contra a captura;

 O assessor é entendido como força submersa. Poucos sabem que de seu posto vive procurando enxergar o cume da montanha, apesar da neblina;

 O assessor é a medicina preventiva, talvez até o remédio exato, embora haja suspeita de sua fórmula;

 O assessor tem ego resolvido. Consegue viver em crise de identidade permanente, para que o retrato do chefe mantenha-se na parede;

 O assessor não chama, é chamado. Quando alguém o chama, renasce das cinzas e recompõe as chamas;

 O assessor é a figurinha premiada da organização. É carimbada, envolvida no melhor invólucro e colocada na última página do álbum;

 O assessor é o vinho da melhor safra, freqüenta as melhores mesas, e, nas possíveis discussões, é degustado antecipadamente;

 O assessor é o órgão de plantão. Aconteceu, chame o assessor;

 O assessor é a parábola obrigatória. Seu exemplo de virtude não é mérito. Apenas um adendo à reflexão;

 O assessor é o primeiro a chegar e o último a sair. Afinal, precisa fazer, simultaneamente, a previsão do tempo e análise dos efeitos da chuva;

 O assessor é o sonho do ambiente perfeito. No processo de ajuste com a realidade é que entra seu talento;

 O assessor não deve se perguntar sobre a fatalidade da função. Também não pode dimensioná-la além da vida eterna;

 Ser assessor é um momento de espírito. Pode ser um estado de graça ou circunstância da desgraça;

 O assessor não é contratado para aflorar o riso. Muito menos para conter as lágrimas;

 Aspone é a maior ofensa para o assessor que de fato não o é, porque estereótipo do "ser ou não ser" é a verdadeira questão;

 Não confunda assessor com segurança. Este é à prova de balas. Assessor é a defesa de infortúnios;

 O bom assessor busca a vitória coletiva. Se todos vencerem, euforia no ambiente, mais gente desarmada, o capeta guarda o tridente;

 Assessor não precisa expressar convicções. Ausência de emoções no assessor é o calvário de sua intimidade;

 O assessor não pode exercer a sabedoria até as últimas conseqüências, nem conter-se no silêncio. Basta avaliar o nível de assessoria que pretende e viver feliz para sempre, ou seja, até amanhã!

 



Escrito por polettomarco às 10h58
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA   

 

Conceitos...

 

“ A melhor opção ideológica é ser uma pessoa íntegra”

(Mão Tse Tung)

 

                                               Tempos... fui abordado por um “velho companheiro de longas jornadas. Foi logo fulminando: “ Puxa vida, Poletto, você esta “endireitando” referindo-se, obviamente, aos meu artigos (os sobre política) que escrevo com total  liberdade neste jornal”

                                      A conversa foi rápida, mas suficiente para colocar em pauta a velha divisão esquerda/direita que agitou o debate político no século passado.

                                      Na conversa simples de bar, esquerda é o contra, direita é o bem resolvido. Entre os jovens, direita é o quadrado, conservador, bitolado, enquanto esquerda é o revolucionário, para frente, moderno, etc. Em todos os jargões, numa relação maquiavélica, esquerda seria o bem relativo e direita o mal absoluto.

                                      Antes de aprofundarmos a conversa, gostaria de lembrar a origem da terminologia esquerda/direita.

                                      Tudo começou na Revolução Francesa no final do século XVIII. Com a derrota da nobreza, guilhotina e tal modifica-se a composição do poder emergente da revolução. Os representantes populares denominados Jacobinos sentam-se a esquerda do Parlamento, enquanto o agrupamento mais moderado senta-se a direita. Nasceu daí a expressão esquerda para designar os grupos mais radicais e revolucionários, e a expressão direita, para os grupos mais moderados e conservadores.

                                      O século XVIII presencia a grande revolução industrial e o nascimento da filosofia para entendê-la, denominada materialismo dialético. Através de Karl Marx, com certeza o pensador que mais influenciou a história da humanidade, depois de Jesus Cristo, a palavra esquerda adquiriu sua conotação definitiva, porque situava o trabalhador num aspecto definido da sociedade, isto é, a sua esquerda. Os capitalistas, nova classe surgida da revolução tornaram-se antítese da esquerda, logo vestiram a carapuça da direita.

                                      O choque esquerda/direita agigantou-se com a revolução Russa de 1917.  Hoje, com o desmoronamento da ex-URSS e a derrocada dos regimes socialistas do Leste Europeu estabeleceu-se a impossibilidade de se propor alternativas à sociedade capitalista. E a partir desse quadro, acho que não tem mais sentido falar de esquerda e direita no mundo atual já que a esquerda se propunha de certas formas, a contestar o capitalismo.

                                         Quando um “velho” e ex-companheiro acusa-me de ter me endireitado, devo perguntar-lhe se por acaso sua pergunta tem fundamentação sociológica, segundo antecedentes históricos, ou se trata de mais uma deformação conceitual esquerda/direita?  Para fazer uma sólida análise da dicotomia esquerda/direita e para que se possa entender bem o sentido destes conceitos hoje, se faz necessário conceituar, minimamente, os próprios termos esquerda e direita, verificando o significado político que tiveram e, principalmente, averiguando como estes termos estiveram presentes em grandes acontecimentos históricos. Eu, por exemplo, na definição clássica não sou direita, porque não dou a mínima para o capitalismo, não tenho posicionamento conservador  em minhas convicções políticas. Estaria mais próximo da esquerda porque sou assalariado, abomino políticos profissionais e acredito na evolução política do pensamento.

                                      Assim sendo, saiba meu prezado companheiro, que você errou e redondamente, ao tentar  mesmo ligeiramente exercer seu humor ácido em meus artigos.

                                        .

                                      Agora, o que os petistas em geral, e os petistas jalesenses (partido do qual fui um dos fundadores, lembram-se?), em particular  precisam é gostar mais de Jales do que gostam do PT. Partido político é um instrumento de luta  para você melhorar sua cidade e seu país. Quando você se apaixona por seu partido, o racionalismo vai por água abaixo fazendo de você um sectário e estreito, despreparado para interferir na luta política concreta. O sectário quer educar, politicamente, a população em três meses. Este é o maior erro. É preciso saber trabalhar com as armas de ocasião, utilizando a sabedoria nas circunstâncias que a vida apresenta. Preferencialmente com armas inteligentes e objetivas. Por exemplo, escrevendo artigos neste jornal em favor de nossa querida Jales.



Escrito por polettomarco às 13h20
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA   

Nossos “velhos carnavais”

                                                                   Nesta semana de carnaval em que comemoramos os 42 anos do Sputnik, falar de política é botar o bloco dos sujos na rua. O Sputnik com seus jovens sonhadores, límpidos e puros como as águas de riachos cristalinos, cabelos longos, idéias borbulhantes, fome de cultura, etc. foi uma agremiação que marcou época em Jales. Saudades...

                                      Uma das melhores experiências da vida é relembrar coisas boas: a primeira namorada, o primeiro beijo, a primeira calça Lee e por aí vamos. Outro bom exemplo é as marchinhas de carnavais que, infelizmente, ao longo da história carnavalesca foram sofrendo influências, influências o que contribuiu, e muito, para que o carnaval dos dias de hoje estar muito distante da sua origem, ou seja, do verdadeiro carnaval.

                                       Que tempo bom, era uma boa farra - naquela época existia o respeito pelo próximo. “Acho que antigamente eram poucas músicas disponíveis, não se tinha tanta exposição, então a música feita para o carnaval era tão aguardada que ela acabou ficando muito marcada”. Hoje você tem um bombardeio de música no elevador, supermercado, farmácia, lojas, etc., um verdadeiro massacre de tudo quanto é gênero, menos ela... a  marchinha.

                                        Hoje, exercitando o meu lado saudosista, dividirei, com vocês, lembranças de antigos carnavais de Jales. Aliás, considero o carnaval como uma espécie de “Catarse Coletiva”. Nos meus tempos de infância e adolescência, o nosso carnaval era considerado um ótimo carnaval do interior.  Espontaneidade era a marca principal dessa folia de rua. Concursos oficiais, carros alegóricos e outras absorções de culturas mais complexas, no dizer dos meus mestres que nos afirmavam, em salas de aula, que as culturas menos complexas tendem a absorver as práticas e usos das culturas mais complexas.

                                      Os cenários dos nossos antigos carnavais eram verdadeiramente autênticos, impossíveis de serem descritos em um artigo. Tínhamos carnaval ao longo de toda Avenida Francisco Jalles. As famílias,  postavam-se ao longo dessa avenida. As escolas de samba desfilavam  pelo asfalto da vida. Lembro-me dos Bailes do Clube do Ipê, dos antigos carnavais deste clube, lembro-me, também das marchinhas, estas que fizeram minha memória voltar aos velhos salões do Rei Momo,  desfilando à minha frente um verdadeiro passado de abre-alas da minha juventude carnavalesca.

Nos salões dos clubes ou nas ruas, onde os jovens ali presentes puderam deleitar da boa música dos Carnavais de antanho, com marchinhas de compositores brilhantes e para aqueles que viveram estes momentos sublimes, de recordarem uma época que só a saudade, o sentimento maior do coração, pode dizer o que representou na vida de cada um.

Acreditar, hoje, em um respeito às nossas tradições, onde interesses possam ser postos de lado, em benefício da alegria de todos é impossível, como diria o mestre Chico Buarque de Hollanda: “Apesar de você, amanhã há de ser um outro dia”, ou quiçá um outro carnaval!

As marchinhas sempre fizeram muito sucesso nas festas carnavalescas.

Nos salões dos clubes ou nas ruas, as músicas dos melhores compositores como Ary Barroso, Lamartine Babo, Noel Rosa, João de Barro, Benedito Lacerda, Haroldo Lobo, Antônio Nássara, Antônio Almeida, Roberto Martins, Ataulfo Alves eram cantadas de forma entusiástica.

Os temas das músicas eram sobre uma beleza romântica sem par, outros engraçados, outros registrando fatos corriqueiros da vida ou mesmo fatos históricos ou políticos, tornando-se desta forma verdadeiros patrimônios da cultura brasileira.

De década em década as músicas foram sofrendo influências e mudanças o que transformou o carnaval dos dias de hoje.  A lembrança, por mais que se queira, quando saudável, torna-se difícil de ser esquecida e o carnaval do passado, foi um deles.

Na década de 70, os blocos de sujo, as fantasias de luxo e as mais simples, começaram a desaparecer, dando lugar a roupa comum do dia –a – dia. Na década de 80, apareceram as roupas mais sofisticadas, próprias de verão, como bermudas, tamancos, sandálias, saiotes e algo a mais em função do desnudo cada vez mais simplório em festejos nas ruas, a não ser pelos sambas e desfiles das Escolas de Samba no Sambódromo – folclore nacional.

Na década 90 até hoje suas condições e efeitos estão decaindo gradativamente. Bons tempos aqueles que dificilmente voltarão a ser como antes. Nossos velhos carnavais.

Axé!!!!!!!!!!!!!

 

 



Escrito por polettomarco às 20h50
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA   

 

 

 

Cores, viagens, mãos desconhecidas...

                            

                                                                  Já que estamos vivendo esses dias de declínio cultural, onde riscos e borrões são chamados de pintura, amontoados de ferro velho retorcido, arte, gemidos e gritos dão renome a cantores, letras das mais ridículas e empobrecidas caracterizam composições de sucesso, dá gosto relembrar cantores como o grande e inesquecível poeta Taiguara!

                                       Taiguara é dono de uma das trajetórias mais inusitadas da música brasileira. Nascido por acaso em Montevidéu, terra de Conde de Lautreamont - pseudônimo de Isidore Ducasse, a maior referência dos surrealistas no início do século XX-, o filho do maestro e bandoneonista Ubirajara Silva e da cantora Olga Chalar incorporou elementos do surrealismo europeu e da literatura fantástica latina americana não só na sua inacreditável obra, mas na sua vida de uma forma bela e trágica. Ele veio, em definitivo, para o Brasil quatro anos depois.

                                      O nascimento no Uruguai é somente mais um dado biográfico improvável que torna tudo mais curioso ainda na história desse que foi um dos compositores mais brasileiros no sentido dialógico e transgressor dentro de uma tradição musical que se consolidou no decorrer do século passado. O nascimento no Uruguai guarda a mesma ironia que cerca o birmanês Nick Drake, num acaso do destino que escolheu o longínquo país asiático para ver nascer um dos compositores mais influentes na música inglesa a partir dos anos 70.

                                       Considerado um dos símbolos da resistência à censura durante a ditadura militar brasileira, Taiguara foi dos artistas mais censurados do país durante esses anos de "chumbo" e isso, como não poderia deixar de ser, marcou profundamente sua vida e sua obra. Foram mais de cem canções vetadas pelos censores. Esse número dá conta de toda uma obra e seria motivo suficiente para qualquer pessoa sensata no mínimo pensar em mudar de ramo, antes de tomar atitude, digamos, mais radical. Ao invés disso ele partiu pra cima e acirrou o discurso. Exasperado com a perseguição e impedido de continuar trabalhando no Brasil ele se auto-exilou na África (década de 70) - destino incomum para exilados políticos - seguindo depois para a Europa. Nesse período aprofundou seus vínculos com a resistência cultural incorporando elementos de outras culturas que dialogam em sua obra com a tradição musical brasileira. Suas canções passaram a assumir um sentido agudo de liberdade ao mesmo tempo em que incorporava uma urgência na transgressão dos limites estéticos da canção, numa relação orgânica e indissociável entre letra, música e posicionamento político.

                                              Essa opção radical fica clara no disco "Imyra, Tayra, Ipy", gravado ao longo de 75 e 'lançado' no ano seguinte, no retorno do exílio. Um dos discos mais instigantes e exuberantes da vasta e rica discografia setentista. Para esse trabalho Taiguara convocou uma orquestra com nada menos que 80 integrantes e chamou o endiabrado maestro Hermeto Paschoal para auxiliar nos arranjos e na direção musical, num período em que o bruxo albino ainda se interessava por e colaborava com cancionistas. Entre os músicos convocados constavam ainda nomes como o de Wagner Tiso, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Jacques Morelenbaum, Novelli, Zé Eduardo Nazário e seu pai Ubirajara Silva entre outros. O disco que radicalizou o discurso contra a repressão sem abrir mão do experimentalismo musical e do esgarçamento dos limites da canção foi recolhido em tempo recorde por uma ditadura atônita, num período em que a dita já era supostamente mais branda. Menos de 72 horas após ser distribuído o disco foi recolhido das lojas, para nunca mais ser lançado oficialmente no mercado nacional.

Desde sempre sou fã de Taiguara, e quanto mais o tempo passa, mais percebo o quanto me identifico com o riquíssimo universo de sua poesia.

Com tanta música sem qualidade na mídia, fica difícil entender como uma obra excepcional, em melodia e inspiração poética, seja deixada no esquecimento. Sinto-me privilegiado em ter participado desta geração.

Aos que não viveram esse tempo, felizmente restam alguns registros para que possam avaliar o estado no qual a cultura popular chegou, quando comparamos com esses grandes do passado.

Eu quero então lhes apresentar esse artista belo e cheio de arte que morreu tão prematuramente...  

Nesta terça feira, 14/02/2012, 16 anos sem Taiguara.

Bom, o resto à sensibilidade sabe.

PS." Só feche o seu livro quem já aprendeu"...

 



Escrito por polettomarco às 10h21
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PUBLICADO NO JORNAL A TRIBUNA    

“ESQUECIMENTO...PÓS – PODER”

 

                                               Semana passada, mais precisamente no sábado,  no “senadinho”, hoje em reuniões no Bar do Rui no Clube do Ipê, estava conversando com meus amigos,  do ostracismo pós-poder que vivem certos políticos despreparados para vida pública, aqueles de ocasião.

                                      Durante conversa, comentei a respeito de um fato que ocorreu alguns anos, quando um prefeito do interior do nosso Estado, meu amigo de longa data e confidente político, que por motivos éticos não vou citar o nome, desabafou:

- Amigo, estou em pânico!!! A eleição de meu sucessor será daqui a poucos meses, e ainda não estou preparado para deixar o poder. Meus secretários e assessores – acrescentou – conversam mais com meu candidato do que comigo, quase ignorando que ainda estou na prefeitura!

                                      Notando sua crise emocional, conhecida como “solidão do poder”, procuro brincar, lembrando um caso (verdadeiro) de um prefeito que parou de contar piadas nos últimos noventa dias de sua gestão, por absoluta falta de riso entre os ouvintes.

                                      No primeiro ano de seu mandato, o referido prefeito, famoso piadista em sua cidade, quase matava de rir seus assessores e próximos, quando contava suas anedotas. No final de seu mandato, as piadas perderam a graça!

                                     Aproveitando a conversa, relatei aos meus amigos outro caso ocorrido numa cidade da Grande São Paulo, quando o prefeito sentiu, literalmente, a solidão do poder:- retornando, antecipadamente, de uma viagem ao exterior, não encontrou em seu gabinete, a secretária a copeira, o motorista e a primeira dama, que aproveitou a viagem do marido para visitar os parentes do interior.

                                    Lembrei aos amigos do “senadinho” que, também, não se deve esquecer o folclore da “solidão do poder”, quando o café fica frio, o telefone não toca mais, surge o silêncio dos “conselheiros e palpiteiros”, desaparecem os lobistas, os “amigos” não retornam as ligações, restando, apenas a incrível sensação de abandono e o desconfortável final de mandato.

                                     Conheço diversas crises geradas pela solidão do poder. Os romanos diziam que “o poder embriaga mais que o vinho”.

                                     Quem está no poder imagina que sua mesa é eterna e a cadeira macia como ursinho de pelúcia!

                                    Ulisses Guimarães sempre repetia que o poder é afrodisíaco. O poder apressa os cabelos brancos das pessoas, mas, em compensação, rejuvenesce por dentro. A própria esperança do poder é um alimento futurista que mantém a pessoa na vida.

                                     Quando vejo homens públicos de salto alto, imaginando serem imortais, como homens, e eternos, como governantes, morro de rir! Recentemente, num programa da TV Senado que pautava diversos acontecimentos envolvendo políticos, do passado e presente, estive observando líderes verdadeiros e os falsos Messias.

                                   Os líderes reais têm impregnado dentro de si a ousadia, agregam assessores calculistas, de visão futurista e acima de tudo, competentes; também, idéias práticas e revolucionárias a seus projetos políticos. Estão sempre rodeados, no poder ou fora dele. Sabem ter a sensibilidade de reconhecer “quem é quem”.

                                      Já os políticos menores, geralmente fabricados pela mídia, pelo dinheiro, por algumas  “Igrejas” Evangélicas/Católicas ou por empreiteiros, ávidos pela “cultura de obras”, ficam num canto, rodeado apenas por assessores de ocasião e bajuladores, sem expressão e sem direção.

                                    São fortes candidatos à solidão do poder, pois não se construíram em idéias e amor, nem cultivam sentimentos nobres como afeto e gratidão. É a solidão do poder, com certeza!

                                    Os grandes estadistas superaram a solidão do poder com gestos extremados de amor ao povo. Já os pigmeus da política vivem à rasteira “solidão do poder”, mesmo estando nele. Enquanto os estadistas entram para a história, os políticos descartáveis serão atirados no primeiro lixo da próxima esquina.

                                         O problema dos falsos líderes é que acreditam na “panela” que criaram em torno de suas pessoas. Se esquecem que com muito fogo, a “panela” enferruja. Com fogo muito baixo, a “panela” não cozinha. E que fogo de bajulador só fica aceso, no ponto, mas no pontinho mesmo, com dinheiro no bolso.



Escrito por polettomarco às 12h56
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